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A psicologia como ciência e as escolas psicológicas

Ao refletir melhor sobre minha posição teórica, percebo que meu eixo clínico é fortemente atravessado pelo behaviorismo, sobretudo pela valorização da observação, da experimentação e da análise das contingências que sustentam o comportamento. Embora eu reconheça e considere fundamentais os conceitos psicanalíticos — como inconsciente, consciente, ego, superego, mecanismos de defesa, recalque, projeção e transferência — tenho certa reserva em relação à interpretação dos sonhos como via privilegiada de acesso ao inconsciente. A introspecção e a associação livre fazem sentido para mim enquanto ferramentas de compreensão, mas é na análise do comportamento observável, dos estímulos, reforços, punições e condicionamentos que encontro maior solidez prática. Nesse sentido, compreendo a psicanálise como um campo que explica e elabora a dinâmica psíquica, enquanto o behaviorismo oferece instrumentos mais diretos de intervenção e tratamento, especialmente quando se trata de promover mudanças concretas no comportamento.

Citação de Caroline Gonçalves em dezembro 25, 2025, 11:20 pm

Ao refletir melhor sobre minha posição teórica, percebo que meu eixo clínico é fortemente atravessado pelo behaviorismo, sobretudo pela valorização da observação, da experimentação e da análise das contingências que sustentam o comportamento. Embora eu reconheça e considere fundamentais os conceitos psicanalíticos — como inconsciente, consciente, ego, superego, mecanismos de defesa, recalque, projeção e transferência — tenho certa reserva em relação à interpretação dos sonhos como via privilegiada de acesso ao inconsciente. A introspecção e a associação livre fazem sentido para mim enquanto ferramentas de compreensão, mas é na análise do comportamento observável, dos estímulos, reforços, punições e condicionamentos que encontro maior solidez prática. Nesse sentido, compreendo a psicanálise como um campo que explica e elabora a dinâmica psíquica, enquanto o behaviorismo oferece instrumentos mais diretos de intervenção e tratamento, especialmente quando se trata de promover mudanças concretas no comportamento.

Considerando hoje as qualificações, visão e ter vivenciado e passado ao longo de minha vida por muitas teorias, considerando a ênfase na observação sistemática, na análise funcional do comportamento e na intervenção baseada em contingências. Essa escolha não é meramente técnica, mas epistemológica: priorizo modelos que permitam verificar relações entre variáveis, avaliar resultados e promover mudanças concretas no comportamento, tratando a raiz, não o sintoma.

Reconheço a relevância histórica e clínica da psicanálise, especialmente na compreensão da subjetividade e dos conflitos intrapsíquicos. Conceitos como inconsciente, mecanismos de defesa e transferência oferecem uma leitura sofisticada do sofrimento humano. No entanto, do ponto de vista crítico, considero que a psicanálise apresenta limites importantes quando se trata de operacionalização clínica e validação empírica. A centralidade da interpretação, em especial a dos sonhos, mas acredito que depende fortemente do enquadre teórico do analista, o que fragiliza critérios de verificabilidade e dificulta a avaliação objetiva dos efeitos terapêuticos.

Na prática clínica, isso pode resultar em processos longos, tratando como mencionei o sintoma e não a raiz, a partir de uma elaboração simbólica sem necessariamente produzir mudanças observáveis e sustentáveis no cotidiano do paciente. Já o behaviorismo, ao focar nas relações entre estímulos, respostas e consequências, oferece instrumentos mais diretos e mensuráveis de intervenção, permitindo identificar o que mantém o sofrimento e atuar de forma mais objetiva sobre esses padrões.

Embora o behaviorismo seja frequentemente criticado por um suposto reducionismo, entendo que essa crítica se enfraquece quando se considera a análise de comportamentos privados, regras verbais e a história de aprendizagem do sujeito. Nesse sentido, não se trata de negar a subjetividade, mas de abordá-la sem recorrer a constructos não observáveis como eixo central da intervenção.

Assim, compreendo a psicanálise como um campo relevante para a elaboração e compreensão da dinâmica psíquica, mas considero o behaviorismo mais consistente quando o objetivo clínico é promover mudanças concretas, avaliáveis e eticamente responsáveis. Essa posição não busca encerrar o debate, mas explicitá-lo: entre explicar o sofrimento e intervir sobre ele, escolho um referencial que prioriza a transformação efetiva da experiência vivida.