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Literatura , psicanálise e Filosofia

Vejo a confluência da literatura, psicanálise e filosofia como as três Moiras do destino, determinando o destino dos homens. Excluindo a teologia, o potencial dos seres humanos em se predestinarem é evidente. A congruência estética literária com a psicanálise vai além da transferência feita aos protagonistas; envolve seus conflitos, ações, omissões, sentimentos e tipologia reativa, sejam neuróticas ou não, pulsões e dramas vivenciados.

A filosofia, seja sublimática ou não, contém o conteúdo anímico ou valor atribuído a algo. Essa tripartição é apropriada como a divisão do aparelho psíquico em consciente, pré-consciente e inconsciente, além de id, ego e superego.

Através da literatura, navegamos por desejos insondáveis e reprimidos pelo superego. Ela permite uma transferência confortável ou desconfortável do ego a situações observacionais singulares, projetando ou expressando a história em situações análogas ou extravagantes. Essa escolha co-cria um sentido saudável de pensamentos, instintos e emoções.

Na atualidade, vivemos em um conjunto de imagens prontas, digitais, com um imediatismo narcisista, sem engajamento. Participar da literatura e filosofia, questionar-se, e equilibrar as interações objetais são vitais. A literatura faz crescer e apaziguar, a filosofia potencializa valores, e a psicanálise coesiona para o apaziguamento e potencialização.

Não proponho o que é certo ou errado, verdadeiro ou falso, mas sim a possibilidade de escolha, evolução, e utilização do potencial verdadeiro, evitando um narcisismo objetal superficial. Cada autor expressa seus personagens, neuróticos ou não. Como diria Freud, um "adorável neurótico". Na peça de Luigi Pirandello, "Seis personagens em busca de um autor", é interessante notar que os personagens são manifestações do ego do autor, refletindo desejos, valores, id e superego.

Claramente, não existe perfeição nessa ponte entre literatura, psicanálise e filosofia, dada a diversidade artística e a negação do mecanicismo humano. A análise de personagens é evidente, como no caso de Hamlet, em claro conflito edípico. A literatura é um espelho da psique, a filosofia investiga questões existenciais e incrementa valores, e a psicanálise possibilita o verdadeiro potencial humano, apaziguando repressões e neuroses.