Forum

Please or Cadastrar to create posts and topics.

O EU E A PERSONALIDADE

A maior lição é que a minha identidade não flutua no vazio; ela nasce do impacto do meu corpo com o mundo. Aprendi que o meu Eu é, antes de tudo, um Eu-corporal, uma projeção mental da superfície do meu corpo.

A minha pele funciona como um "Eu-pele", um envelope que delimita onde eu começo e o mundo termina, servindo de fundo para todas as minhas experiências mentais. Essa base biológica é o que António Damásio chama de Protosself, um mapeamento inconsciente e constante do estado do meu organismo.

Entendi que não sou uma unidade fixa, mas um "trabalho de equipe" (às vezes bem conflituoso) entre três instâncias: O Id: É o meu caos de desejos e impulsos que só quer saber de prazer imediato. O Ego: É o meu lado "executivo" que lida com a realidade e tenta equilibrar os gritos do Id com as cobranças do mundo. O Superego: É o meu juiz interno, cheio de regras e valores que aprendi com meus pais e a sociedade.

Foi fascinante ver como a neurociência moderna de Damásio "conversa" com Freud sobre como eu me percebo no tempo:

Self Central: É o meu sentido de "aqui e agora", que surge quando meu corpo é modificado por um objeto. Self Autobiográfico: É a minha história de vida, baseada em memórias e na linguagem, que me permite planejar o futuro e lembrar do passado. Percebi que, para Freud, o meu Eu oficial também depende dessa representação-palavra (linguagem) para se organizar. Aprendi que ignorar o histórico do corpo e as sensações das vísceras em favor de apenas "consertar o software" é um erro. Aprendi que sou um composto indissociável de biologia e cultura. O meu cérebro mapeia o corpo, e a minha mente narra essa experiência.