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Panorama do Novo Testamento

O Novo Testamento é uma coleção de vinte e sete livros que compõem geralmente a segunda parte da Bíblia, não estão arranjados em ordem cronológica, mas sim lógica. Representam um terço da Bíblia e consistem nos Evangelhos tratando sobre a vida e ministério de Jesus, o livro de Atos dos Apóstolos, Epístolas de Paulo, Pedro, João, Tiago, Judas e a dos Hebreus, cuja autoria ainda não foi definida, além do livro de Apocalipse.

Os livros do Novo Testamento consubstanciam os termos da Nova Aliança selada por Deus com a humanidade após a morte sacrificial de Jesus. Segundo essa Nova Aliança não há mais a necessidade de derramamento de sangue para propiciação dos pecados, uma vez que Jesus derramou seu sangue para nos redimir. Todos que quiserem se achegar a Deus poderão alcançá-lo aceitando Jesus como seu salvador, com o que estarão salvos e sairão do reino das trevas para o reino de Deus. Na Nova Aliança há apenas um mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo, conforme ensinou Jesus.

Com relação aos Evangelhos, pode-se começar ressaltando que são quatro porque havia na antiguidade quatro tipos de público para os quais os evangelistas precisavam se dirigir: os judeus, os romanos, os gregos e a igreja. Cada evangelista escreveu para atender ao caráter, às necessidades e ideias dessas classes de pessoas.

O Evangelho de Mateus é dirigido aos judeus, que esperavam pela vinda do Messias, então Mateus apresenta Jesus como o Filho de Deus, o Messias aguardado, o Leão de Judá.

Marcos escreveu aos romanos, um povo cujo ideal era o poder e o serviço, por isso apresenta Jesus como o Servo Fiel, destacando seus atos e não suas palavras, associando Jesus à imagem de um boi paciente e produtivo, para retratar Cristo como um servo forte, ativo e humilde.

O Evangelho de Lucas é dirigido aos gregos, que queriam alcançar a perfeição e ser deuses, assim Lucas apresenta Jesus como o Filho do Homem perfeito em tudo e que era Deus. Em Lucas, o Evangelho do Filho do Homem, mostra-se o coração de Jesus em várias manifestações de sua compaixão, ternura e amor.

No Evangelho de João escreve-se para a igreja recém-formada que enfrentava apostasias e dissensões, as verdades do Evangelho estavam sendo esquecidas e o apóstolo João escreveu essas verdades para atender a todas as igrejas e todas a gentes que viessem a ouvir falar de Jesus. João retrata Jesus como um águia que voa e nos leva às alturas de sua divindade eterna.

Essas imagens com as quais a figura de Jesus é associada nos quatro evangelhos: Leão de Judá, Boi, Filho do Homem e Águia correspondem à descrição dos anjos que circundavam o trono de Deus segundo viu Ezequiel em 1:10.

Com relação aos ensinamentos de Jesus, os quatro Evangelhos concordam em mencionar que o centro dos ensinamentos de Jesus era a fé: a fé opera milagres, promove a santificação, revela as qualidades e garante a salvação. Jesus também não pretendia com seus ensinamentos instaurar um reino político ou militar, material, mas sim edificar o reino do céu, um reino espiritual e futuro. Além disso, em todos os Evangelhos destaca-se que Jesus enfatizava que sua morte e ressurreição seriam necessárias para a salvação da humanidade.

Vale ressaltar que a teologia do apóstolo João é considerada Cristocêntrica porque coloca Jesus no centro de toda a história da humanidade. João começa seu Evangelho destacando que “no princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”, isso significa que desde a criação do mundo Jesus estava ao lado de Deus, participando da criação do universo, e assim, de igual modo, Jesus esteve participando junto com Deus de todos os lances da história do povo de Deus. Há um entendimento também de que no deserto quando uma peste assolou os israelitas e Moisés levantou uma estátua de uma serpente para que o povo olhasse para a estátua e sarasse, acredita-se que nesse momento foi Jesus quem agiu curando o povo da peste.

O apóstolo Pedro também tinha uma teologia própria, ele se dirigia os cristãos dispersos pelas províncias da Ásia Menor, para confortar os fiéis que se encontravam sofrendo perseguições em muitos lugares, para edificação de novos convertidos e para alertar os cristãos sobre falsas doutrinas que iam entrando nas igrejas. Jesus é apresentado por Pedro como a Pedra Viva e Preciosa para os crentes e a Pedra de Tropeço para os incrédulos.

Paulo também tinha uma teologia própria, tema central dos seus ensinamentos é a graça, para ele somos salvos pela graça, por meio da fé e isso não vem de nós, mas é dom de Deus. Paulo apresenta a graça como uma atitude de Deus para com o homem, uma obra em seu favor, um dom concedido ao homem. Para Paulo o pecado era uma realidade, derivada de Adão, e Jesus, com sua morte sacrificial fez reinar a graça pela justiça para a vida eterna. Paulo também falou no Espírito Santo, a santificação, o crescimento na graça, seriam frutos do Espírito Santo. Os ensinamentos de Paulo abrangem também a vinda do Senhor, para Paulo primeiro a igreja seria Arrebatada e em seguida seria implantado o Milênio.

Na epístola dos Hebreus um autor desconhecido escreve para judeus convertidos ao cristianismo que estavam se inclinando novamente para o judaísmo. Para que não apostatassem da fé o autor de Hebreus destaca a superioridade de Jesus aos profetas do Antigo Testamento, aos sacerdotes descendentes de Arão, aos anjos, enfim, Jesus é retratado como o Sumo Sacerdote Eterno da Ordem de Melquisedeque que selou a Nova Aliança com a humanidade morrendo na cruz para remir nossos pecados.

A epístola de Tiago é o livro prático do Novo Testamento, semelhante a Provérbios no Antigo Testamento, não tem caráter doutrinário, mas traz declarações francas e concisas da verdade. Tiago não foi apóstolo de Jesus, era seu irmão, mas não seguiu Jesus durante o seu ministério, tornou-se apóstolo quando na ressurreição Jesus apareceu para ele. Tiago destacava também que não existe fé sem obras, uma fé que não produz santidade de vida é coisa morta.

Judas se identifica como irmão de Tiago, portanto, também era irmão de Jesus. Ele escreveu uma epístola para exortar e animar os crentes a batalharem pela fé, lembrando-os dos castigos recebidos pelos ímpios no passado. Segundo Judas a santificação dos crentes é um dever, e o Espírito Santo seria uma fonte de vida e poder para o crente.  Judas ressalta ainda que os abusos no campo da fé serão castigados como ocorreu com os anjos que caíram.

O Apocalipse traz a mensagem da vitória de Jesus sobre Satanás, não sem acontecer várias tribulações na Terra, mas trata da vitória de Jesus e dos crentes sobre o mal no final dos tempos. Há quem afirme que o Apocalipse já aconteceu, como os preteristas, há quem entenda que ainda acontecerá, como os futuristas e há quem entenda que a mensagem do Apocalipse é para o presente, de todo modo, o seu alcance penetra até o estado eterno. O Apocalipse começa a transmitir sua mensagem falando em sete castiçais, que são sete igrejas da antiguidade que representam todas as igrejas vindouras, e sete estrelas, que são sete anjos ou mensageiros dessas igrejas.

Segundo o Apocalipse no fim dos tempos os crentes que permanecerem fiéis a Jesus serão arrebatados, então a humanidade passará por uma grande tribulação e mais alguns se salvarão, quando Jesus descerá dos céus e reinará na Terra por mil anos e Satanás ficará preso no abismo. Depois disso haverá uma batalha final, a batalha de Gogue e Magogue, e, ainda o Juízo Final, quando se segue a criação de novos céus e nova Terra.

Esta visão panorâmica do Novo Testamento proporciona uma melhor compreensão da natureza da pessoa de Jesus, dos seus ensinamentos, da sua missão na Terra, do seu sofrimento, da importância do seu sacrifício, da beleza da sua ressurreição. É absolutamente fascinante estudar o Novo Testamento porque gira em torno dessa figura magnética que é Jesus. Interessante que um testamento é algo que se abre e se lê após a morte de alguém, quando ficamos sabendo como o falecido pretendia dispor dos seus bens e o que deixou de herança e para quem. Jesus, como um exemplo de humildade e simplicidade, nos deixa de herança palavras, atos, gestos, histórias, que por sua sabedoria e profundidade divinas ecoam no mais íntimo levando-nos a admirá-lo.