Simplicidade
Citação de ADÉRICA YNIS FERREIRA CAMPOS em maio 14, 2026, 12:49 amAs doutrinas bíblicas são ensinamentos para a alma porque fundamentais para a compreensão correta de questões como a natureza de Deus, a natureza de Jesus, a natureza do Espírito Santo, a Santíssima Trindade, a salvação, os efeitos do batismo, a missão da Igreja de Jesus Cristo e tantas outras que interessam aos cristãos. Esses ensinamentos são essenciais para o crescimento espiritual e correção da conduta, por isso são essenciais também para a comunhão com Deus e a salvação da alma.
Uma doutrina bíblica bastante complexa é a da Trindade, pois os cristãos são monoteístas, acreditam na existência de um único Deus, que, porém, apresenta-se como três pessoas distintas, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Trata-se de uma Unidade Composta, pois há um único Deus composto por três pessoas. Em Jo 17:3 o Pai é chamado de Deus Verdadeiro, em 1Jo 5:20 o Filho é chamado de Deus Verdadeiro, e em Atos 5:3-4 o Espírito Santo é chamado de Deus. Não são três deuses, mas três pessoas que compõem um só Deus.
É certo que o Unicismo tenta explicar o assunto sustentando que se trata de um único Deus que se manifestou de três formas distintas, porém, na Bíblia encontramos passagens que deixam claro que são pessoas distintas, não meras manifestações (Jo 1: 1-3, 8: 16-18, 15:26). Há ainda um posicionamento denominado Racionalista Paradoxal que crê em apenas duas divindades, uma todo-poderosa chamada Jeová e outra apenas poderosa chamada Jesus. Isso vai completamente de encontro com o Credo de Niceno ou Atanasiano.
Quanto à natureza de Jesus, há uma intensa discussão cristológica que debate se Jesus era homem e Deus ao mesmo tempo. Muitas foram as heresias surgidas ao longo do tempo em torno dessa questão.
Para o gnosticismo Cristo era considerado o Salvador, pois foi ele quem trouxe o conhecimento salvífico para o mundo, porém ele teria uma essência espiritual que emanara dos eons. Ele não poderia ter assumido a forma de homem, quando apareceu sobre a Terra, só parecia ter corpo físico. O docetismo também afirmava que o corpo de Cristo não passava de um fantasma, que seu sofrimento e morte foram apenas mera aparência. Para eles Cristo era somente Deus, de modo algum humano.
O monarquianismo negava o conceito trinitário da divindade e se manifestou de duas formas: dinamista e modalista. Os dinamistas acreditavam que Jesus era mero homem, negando a divindade de Jesus, mas admitiam que por ocasião do batismo veio sobre Jesus um poder, o poder derivado de ser o Cristo. Para os modalistas apenas o Pai é Deus e ele se fez conhecer segundo o seu beneplácito. Quanto ao sofrimento e morte de Jesus afirmavam que Deus não está sujeito a sofrimento e morte, mas pode sofrer e morrer se assim o quiser.
O arianismo entendia que Deus era uno e indivisível, por isso Jesus não poderia ser Deus, devia, em vez disso, fazer parte da criação. Cristo então seria um ser intermediário menos que Deus e mais que o homem. O apolinarianismo acreditava que Deus em Cristo foi transmutado em carne, e esta carne foi então transmutada pela natureza divina, Cristo não teria recebido sua carne e sua natureza humana da Virgem Maria, mas trouxe consigo do céu uma espécie de carne celestial. Apolinário enfatizava a divindade de Cristo, a ponto de perder de vista sua verdadeira humanidade.
O nestorianismo ilustrava a união das duas naturezas de Cristo com a união conjugal de marido e mulher tornados uma só carne sem deixarem de ser duas pessoas e duas naturezas separadas. Em vez de união, falava-se em conjugação, o que a igreja entendeu ser inadmissível. O eutiquianismo acreditava que Jesus ao se tornar homem passou a ter apenas a natureza humana, teria duas naturezas antes da encarnação e uma só depois dela. Eutiques foi considerado herege pela igreja.
Jesus é Filho do Homem e Filho de Deus, ele é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. A humanidade de Jesus é demonstrada por sua ascendência humana, por seu crescimento e desenvolvimento naturais, por sua aparência pessoal, por possuir corpo, alma e espírito como todos os homens, por possuir limitações humanas como fome e sede, mas sem ter pecado. A divindade de Jesus é demonstrada porque ele é todo-poderoso, é eterno, é criador, é santo. Como pessoa Jesus possui uma singularidade, o seu caráter sobre-humano e a sua vinda futura com as nuvens do céu em glória celeste.
Jesus é o centro do cristianismo. Sem Jesus não há cristianismo. Na verdade, podemos afirmar que, primeiramente, o cristianismo não é uma religião. Antes de qualquer outra coisa o cristianismo é um modo de vida, a vida de Jesus posta em ação, novamente, através das nossas vidas. Por isso se diz que o cristianismo é “Cristo em vós, a esperança da glória”. Aqueles que amam Jesus e o servem, conhecem-no pelo nome.
Quanto à natureza do Espírito Santo, a Bíblia o retrata como um ser dotado de personalidade, que possui uma existência pessoal, a Bíblia o chama de Deus, de Senhor, ele é representado por símbolos como o fogo, o vento, a água, o rio, a chuva, óleo, azeite, selo e pomba. O Espírito Santo tem atributos divinos como eternidade, onipresença, onisciência, onipotência. O Espírito Santo realizou trabalhos exclusivos de Deus, como por exemplo, comunicou vida à criação, transforma o homem em uma nova criatura, levantou Cristo da morte na ressurreição, encheu vários líderes do Velho Testamento, inspirou João Batista.
Assim, o Espírito Santo é uma pessoa da Trindade, é Deus, que passa a habitar no crente após a conversão. Ele consola, ajuda nas nossas fraquezas, ensina, guia, santifica, pode ser entristecido, envergonhado, sofrer resistência.
Quanto ao batismo com o Espírito Santo, é uma promessa para todos, de todos os tempos, e pode ocorrer na forma de um derramamento (alguma coisa vinda do céu com grande abundância), batismo (imersão no divino espírito que leva o crente a estar saturado por Deus) ou enchimento (ser cheio do espírito pela descida de línguas de fogo sobre o crente que começa a falar em línguas estranhas).
São nove os dons do Espírito Santo e também são nove os seus frutos. São dons do Espírito Santo: palavra de conhecimento, palavra de sabedoria, discernimento de espíritos, dons de curar, operação de milagres, fé, variedade de línguas, interpretação de línguas, profecia. São frutos do Espírito Santo: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Os dons são dados, recebidos, os frutos são gerados em nós; os dons vêm após o batismo com o Espírito Santo, os frutos começam com a obra do Espírito a partir da conversão; os dons vêm de fora, do alto, os frutos vêm do interior; os dons revelam concessão de poder e graça, enquanto os frutos se relacionam com o caráter do crente; os dons conferem poder, os frutos conferem autoridade; os dons identificam-se com o que fazemos, os frutos com o que somos; os dons comunicam espiritualidade, já os frutos comunicam irrepreensão. Deve existir uma harmonia entre os dons e os frutos do espírito.
No tocante à salvação, é um termo bastante abrangente, inclui o perdão do pecado passado, a libertação do pecado presente e a preservação contra o pecado futuro. Cristo é quem providenciou a nossa salvação com sua morte expiatória, e à medida em que a salvação é aplicada individualmente a cada pessoa que a aceita, Cristo completa a sua obra. A salvação é para todos, é universal, porém, também só se aplica aos que creem. Alguns ainda acreditam que a salvação pode ser abandonada, outros como os calvinistas entendem que não.
Pode-se mencionar que existem quatro visões diferentes sobre a relação Deus-homem no processo salvífico. Duas posições são monergistas e duas posições são sinergistas. O monergismo enfatiza a soberania absoluta de Deus no processo de salvação. O sinergismo busca equilibrar a responsabilidade humana com a graça divina. É monergista o pelagianismo e o calvinismo. É sinergista o semipelagianismo e o arminianismo.
Para o pelagianismo o homem é o único agente na salvação, enquanto para o calvinismo Deus é o único agente na salvação. Para o semipelagianismo o homem inicia o processo, Deus responde ao homem, enquanto para o arminianismo Deus inicia o processo, o homem responde a Deus. Se Deus inicia o processo de salvação, ou se é o homem, se somente Deus atua no processo de salvação, porque elege, escolhe alguns para serem salvos, ou se o homem é quem se inclina para Deus, salvando-se, isso dependerá de como cada um percebe sua relação com Deus.
Há algumas questões relacionadas ao lado divino da salvação e ao lado humano da salvação. O lado divino da salvação está relacionado com a presciência divina, pois Deus sabe de tudo e já tem atraído o crente pelo Espírito Santo; com a eleição divina, pois Deus previu de antemão a conversão do crente e por isso o predestinou à salvação; com a predestinação, pois sabendo de todas as possibilidades futuras, bem como o coração dos homens, Deus fez um plano dos seus atos para alcançar maior número de pecadores, este plano, porém depende da disposição do crente de corresponder em obediência a Deus; e com o chamamento de Deus, pois Deus por sua graça ajuda o homem a alcançar a salvação. O lado humano da salvação envolve a conversão, o arrependimento e a fé. A conversão é positiva, é um voltar-se para Cristo, o arrependimento é negativo, é o abandono do pecado, a fé é um relacionamento pessoal com Deus, baseado no amor, confiança e consagração da vida e da vontade a ele, fé é uma maneira de se viver.
No tocante ao batismo cumpre ressaltar que ele não salva nem purifica o homem do pecado, o batismo é uma ordenança bíblica e seu propósito é tornar público o nascimento do novo homem e a morte da velha criatura. O batismo deve ser realizado por imersão, além disso, não há uma fórmula para a sua realização, fala-se que o batismo é realizado em nome de Jesus porque tudo que fazemos deve ser realizado em nome de Jesus.
Assim, conclui-se que as doutrinas bíblicas visam auxiliar na correta compreensão da Bíblia, porém, em Lucas 11:34 está dito que: “A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso.” (Lc 11:34 ARC)
São muitos os métodos para estudar a Bíblia, todos eles são válidos, mas o Senhor nos adverte nesse versículo citado acima para manter o estudo da Bíblia simples. Que o nosso olho seja simples, é o que instrui o Senhor. Por isso se fala que a palavra de Deus é viva e eficaz, o simples contato com a Bíblia, a leitura do texto puro da palavra de Deus, já nos traria benefícios e nos ajudaria a receber a graça do Pai.
Não se trata de ver o que o texto da palavra diz, isso é uma questão de exegética, de hermenêutica, não se trata de fixar o campo lexical ou o campo semântico, isso é uma questão linguística, não se trata de cuidar dos mecanismos enunciativos subjacentes ao discurso da pessoa, isso é uma questão de apropriação do sistema linguístico e de engajamento do sujeito na relação discursiva. Trata-se de manter os olhos bem abertos para as verdades de Deus, de receber a luz divina através da palavra de Deus na nossa vida.
Isso é importante porque o Senhor destaca ainda nesse versículo que a simplicidade é fundamental para que a luz da palavra divina penetre no coração do homem e todo o seu corpo seja luminoso. Se a luz da palavra divina não penetrar no coração do homem, se este não se identificar com as coisas de Deus, então todo o seu ser, inclusive o seu corpo, serão tenebrosos. Por isso, cumpre tratar sempre da palavra de Deus com simplicidade, sem tornar o estudo da Bíblia algo maçante e difícil.
O ideal é que cada um possa manter contato com a Bíblia manejando-a como uma espada, ler a Bíblia e perguntar ao Espírito Santo que lhe dê uma visão além do alcance, que lhe revele o que o texto da palavra significa, como se aplica à sua vida, o que revela sobre Deus ou sobre a humanidade, não tenho dúvida que o Espírito Santo lhe encherá de palavras de conhecimento e de sabedoria.
As doutrinas bíblicas são ensinamentos para a alma porque fundamentais para a compreensão correta de questões como a natureza de Deus, a natureza de Jesus, a natureza do Espírito Santo, a Santíssima Trindade, a salvação, os efeitos do batismo, a missão da Igreja de Jesus Cristo e tantas outras que interessam aos cristãos. Esses ensinamentos são essenciais para o crescimento espiritual e correção da conduta, por isso são essenciais também para a comunhão com Deus e a salvação da alma.
Uma doutrina bíblica bastante complexa é a da Trindade, pois os cristãos são monoteístas, acreditam na existência de um único Deus, que, porém, apresenta-se como três pessoas distintas, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Trata-se de uma Unidade Composta, pois há um único Deus composto por três pessoas. Em Jo 17:3 o Pai é chamado de Deus Verdadeiro, em 1Jo 5:20 o Filho é chamado de Deus Verdadeiro, e em Atos 5:3-4 o Espírito Santo é chamado de Deus. Não são três deuses, mas três pessoas que compõem um só Deus.
É certo que o Unicismo tenta explicar o assunto sustentando que se trata de um único Deus que se manifestou de três formas distintas, porém, na Bíblia encontramos passagens que deixam claro que são pessoas distintas, não meras manifestações (Jo 1: 1-3, 8: 16-18, 15:26). Há ainda um posicionamento denominado Racionalista Paradoxal que crê em apenas duas divindades, uma todo-poderosa chamada Jeová e outra apenas poderosa chamada Jesus. Isso vai completamente de encontro com o Credo de Niceno ou Atanasiano.
Quanto à natureza de Jesus, há uma intensa discussão cristológica que debate se Jesus era homem e Deus ao mesmo tempo. Muitas foram as heresias surgidas ao longo do tempo em torno dessa questão.
Para o gnosticismo Cristo era considerado o Salvador, pois foi ele quem trouxe o conhecimento salvífico para o mundo, porém ele teria uma essência espiritual que emanara dos eons. Ele não poderia ter assumido a forma de homem, quando apareceu sobre a Terra, só parecia ter corpo físico. O docetismo também afirmava que o corpo de Cristo não passava de um fantasma, que seu sofrimento e morte foram apenas mera aparência. Para eles Cristo era somente Deus, de modo algum humano.
O monarquianismo negava o conceito trinitário da divindade e se manifestou de duas formas: dinamista e modalista. Os dinamistas acreditavam que Jesus era mero homem, negando a divindade de Jesus, mas admitiam que por ocasião do batismo veio sobre Jesus um poder, o poder derivado de ser o Cristo. Para os modalistas apenas o Pai é Deus e ele se fez conhecer segundo o seu beneplácito. Quanto ao sofrimento e morte de Jesus afirmavam que Deus não está sujeito a sofrimento e morte, mas pode sofrer e morrer se assim o quiser.
O arianismo entendia que Deus era uno e indivisível, por isso Jesus não poderia ser Deus, devia, em vez disso, fazer parte da criação. Cristo então seria um ser intermediário menos que Deus e mais que o homem. O apolinarianismo acreditava que Deus em Cristo foi transmutado em carne, e esta carne foi então transmutada pela natureza divina, Cristo não teria recebido sua carne e sua natureza humana da Virgem Maria, mas trouxe consigo do céu uma espécie de carne celestial. Apolinário enfatizava a divindade de Cristo, a ponto de perder de vista sua verdadeira humanidade.
O nestorianismo ilustrava a união das duas naturezas de Cristo com a união conjugal de marido e mulher tornados uma só carne sem deixarem de ser duas pessoas e duas naturezas separadas. Em vez de união, falava-se em conjugação, o que a igreja entendeu ser inadmissível. O eutiquianismo acreditava que Jesus ao se tornar homem passou a ter apenas a natureza humana, teria duas naturezas antes da encarnação e uma só depois dela. Eutiques foi considerado herege pela igreja.
Jesus é Filho do Homem e Filho de Deus, ele é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. A humanidade de Jesus é demonstrada por sua ascendência humana, por seu crescimento e desenvolvimento naturais, por sua aparência pessoal, por possuir corpo, alma e espírito como todos os homens, por possuir limitações humanas como fome e sede, mas sem ter pecado. A divindade de Jesus é demonstrada porque ele é todo-poderoso, é eterno, é criador, é santo. Como pessoa Jesus possui uma singularidade, o seu caráter sobre-humano e a sua vinda futura com as nuvens do céu em glória celeste.
Jesus é o centro do cristianismo. Sem Jesus não há cristianismo. Na verdade, podemos afirmar que, primeiramente, o cristianismo não é uma religião. Antes de qualquer outra coisa o cristianismo é um modo de vida, a vida de Jesus posta em ação, novamente, através das nossas vidas. Por isso se diz que o cristianismo é “Cristo em vós, a esperança da glória”. Aqueles que amam Jesus e o servem, conhecem-no pelo nome.
Quanto à natureza do Espírito Santo, a Bíblia o retrata como um ser dotado de personalidade, que possui uma existência pessoal, a Bíblia o chama de Deus, de Senhor, ele é representado por símbolos como o fogo, o vento, a água, o rio, a chuva, óleo, azeite, selo e pomba. O Espírito Santo tem atributos divinos como eternidade, onipresença, onisciência, onipotência. O Espírito Santo realizou trabalhos exclusivos de Deus, como por exemplo, comunicou vida à criação, transforma o homem em uma nova criatura, levantou Cristo da morte na ressurreição, encheu vários líderes do Velho Testamento, inspirou João Batista.
Assim, o Espírito Santo é uma pessoa da Trindade, é Deus, que passa a habitar no crente após a conversão. Ele consola, ajuda nas nossas fraquezas, ensina, guia, santifica, pode ser entristecido, envergonhado, sofrer resistência.
Quanto ao batismo com o Espírito Santo, é uma promessa para todos, de todos os tempos, e pode ocorrer na forma de um derramamento (alguma coisa vinda do céu com grande abundância), batismo (imersão no divino espírito que leva o crente a estar saturado por Deus) ou enchimento (ser cheio do espírito pela descida de línguas de fogo sobre o crente que começa a falar em línguas estranhas).
São nove os dons do Espírito Santo e também são nove os seus frutos. São dons do Espírito Santo: palavra de conhecimento, palavra de sabedoria, discernimento de espíritos, dons de curar, operação de milagres, fé, variedade de línguas, interpretação de línguas, profecia. São frutos do Espírito Santo: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Os dons são dados, recebidos, os frutos são gerados em nós; os dons vêm após o batismo com o Espírito Santo, os frutos começam com a obra do Espírito a partir da conversão; os dons vêm de fora, do alto, os frutos vêm do interior; os dons revelam concessão de poder e graça, enquanto os frutos se relacionam com o caráter do crente; os dons conferem poder, os frutos conferem autoridade; os dons identificam-se com o que fazemos, os frutos com o que somos; os dons comunicam espiritualidade, já os frutos comunicam irrepreensão. Deve existir uma harmonia entre os dons e os frutos do espírito.
No tocante à salvação, é um termo bastante abrangente, inclui o perdão do pecado passado, a libertação do pecado presente e a preservação contra o pecado futuro. Cristo é quem providenciou a nossa salvação com sua morte expiatória, e à medida em que a salvação é aplicada individualmente a cada pessoa que a aceita, Cristo completa a sua obra. A salvação é para todos, é universal, porém, também só se aplica aos que creem. Alguns ainda acreditam que a salvação pode ser abandonada, outros como os calvinistas entendem que não.
Pode-se mencionar que existem quatro visões diferentes sobre a relação Deus-homem no processo salvífico. Duas posições são monergistas e duas posições são sinergistas. O monergismo enfatiza a soberania absoluta de Deus no processo de salvação. O sinergismo busca equilibrar a responsabilidade humana com a graça divina. É monergista o pelagianismo e o calvinismo. É sinergista o semipelagianismo e o arminianismo.
Para o pelagianismo o homem é o único agente na salvação, enquanto para o calvinismo Deus é o único agente na salvação. Para o semipelagianismo o homem inicia o processo, Deus responde ao homem, enquanto para o arminianismo Deus inicia o processo, o homem responde a Deus. Se Deus inicia o processo de salvação, ou se é o homem, se somente Deus atua no processo de salvação, porque elege, escolhe alguns para serem salvos, ou se o homem é quem se inclina para Deus, salvando-se, isso dependerá de como cada um percebe sua relação com Deus.
Há algumas questões relacionadas ao lado divino da salvação e ao lado humano da salvação. O lado divino da salvação está relacionado com a presciência divina, pois Deus sabe de tudo e já tem atraído o crente pelo Espírito Santo; com a eleição divina, pois Deus previu de antemão a conversão do crente e por isso o predestinou à salvação; com a predestinação, pois sabendo de todas as possibilidades futuras, bem como o coração dos homens, Deus fez um plano dos seus atos para alcançar maior número de pecadores, este plano, porém depende da disposição do crente de corresponder em obediência a Deus; e com o chamamento de Deus, pois Deus por sua graça ajuda o homem a alcançar a salvação. O lado humano da salvação envolve a conversão, o arrependimento e a fé. A conversão é positiva, é um voltar-se para Cristo, o arrependimento é negativo, é o abandono do pecado, a fé é um relacionamento pessoal com Deus, baseado no amor, confiança e consagração da vida e da vontade a ele, fé é uma maneira de se viver.
No tocante ao batismo cumpre ressaltar que ele não salva nem purifica o homem do pecado, o batismo é uma ordenança bíblica e seu propósito é tornar público o nascimento do novo homem e a morte da velha criatura. O batismo deve ser realizado por imersão, além disso, não há uma fórmula para a sua realização, fala-se que o batismo é realizado em nome de Jesus porque tudo que fazemos deve ser realizado em nome de Jesus.
Assim, conclui-se que as doutrinas bíblicas visam auxiliar na correta compreensão da Bíblia, porém, em Lucas 11:34 está dito que: “A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso.” (Lc 11:34 ARC)
São muitos os métodos para estudar a Bíblia, todos eles são válidos, mas o Senhor nos adverte nesse versículo citado acima para manter o estudo da Bíblia simples. Que o nosso olho seja simples, é o que instrui o Senhor. Por isso se fala que a palavra de Deus é viva e eficaz, o simples contato com a Bíblia, a leitura do texto puro da palavra de Deus, já nos traria benefícios e nos ajudaria a receber a graça do Pai.
Não se trata de ver o que o texto da palavra diz, isso é uma questão de exegética, de hermenêutica, não se trata de fixar o campo lexical ou o campo semântico, isso é uma questão linguística, não se trata de cuidar dos mecanismos enunciativos subjacentes ao discurso da pessoa, isso é uma questão de apropriação do sistema linguístico e de engajamento do sujeito na relação discursiva. Trata-se de manter os olhos bem abertos para as verdades de Deus, de receber a luz divina através da palavra de Deus na nossa vida.
Isso é importante porque o Senhor destaca ainda nesse versículo que a simplicidade é fundamental para que a luz da palavra divina penetre no coração do homem e todo o seu corpo seja luminoso. Se a luz da palavra divina não penetrar no coração do homem, se este não se identificar com as coisas de Deus, então todo o seu ser, inclusive o seu corpo, serão tenebrosos. Por isso, cumpre tratar sempre da palavra de Deus com simplicidade, sem tornar o estudo da Bíblia algo maçante e difícil.
O ideal é que cada um possa manter contato com a Bíblia manejando-a como uma espada, ler a Bíblia e perguntar ao Espírito Santo que lhe dê uma visão além do alcance, que lhe revele o que o texto da palavra significa, como se aplica à sua vida, o que revela sobre Deus ou sobre a humanidade, não tenho dúvida que o Espírito Santo lhe encherá de palavras de conhecimento e de sabedoria.
