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White Bear

No episódio White Bear, em Black Mirror, Victoria acorda sem memória. Ela olha para fotos de uma criança e de si mesma, tentando desesperadamente "se reconhecer" e busca no espelho (e nas fotos) uma unidade que foi apagada. Ela está em um estado de fragmentação corporal e psíquica.

Enquanto no desenvolvimento infantil o espelho liberta a criança da fragmentação, em "White Bear", a imagem é uma armadilha. Ela é forçada a assumir a identidade de "monstro" que o sistema (O Outro) preparou para ela, sem nunca ter acesso ao seu "Eu" histórico.

A multidão que filma Victoria com celulares representa um espelho perverso. Victoria se vê refletida nas telas de centenas de celulares, mas não há empatia. O "outro" aqui não a reconhece como humana, mas como um objeto de entretenimento.

A plateia se identifica com a "justiça", mas essa identificação só é possível através da desumanização de Victoria. Para que eles se sintam "bons", ela precisa ser o "mal absoluto".

O espelho (a sociedade) se recusa a refletir a humanidade do outro e a "identificação" aqui é invertida: o público não se coloca no lugar da vítima, mas sim no lugar do carrasco divino, sem opção de redenção.