White Bear
Citação de Chrisley Darcia Brito Arruda em janeiro 25, 2026, 1:19 pmNo episódio White Bear, em Black Mirror, Victoria acorda sem memória. Ela olha para fotos de uma criança e de si mesma, tentando desesperadamente "se reconhecer" e busca no espelho (e nas fotos) uma unidade que foi apagada. Ela está em um estado de fragmentação corporal e psíquica.
Enquanto no desenvolvimento infantil o espelho liberta a criança da fragmentação, em "White Bear", a imagem é uma armadilha. Ela é forçada a assumir a identidade de "monstro" que o sistema (O Outro) preparou para ela, sem nunca ter acesso ao seu "Eu" histórico.
A multidão que filma Victoria com celulares representa um espelho perverso. Victoria se vê refletida nas telas de centenas de celulares, mas não há empatia. O "outro" aqui não a reconhece como humana, mas como um objeto de entretenimento.
A plateia se identifica com a "justiça", mas essa identificação só é possível através da desumanização de Victoria. Para que eles se sintam "bons", ela precisa ser o "mal absoluto".
O espelho (a sociedade) se recusa a refletir a humanidade do outro e a "identificação" aqui é invertida: o público não se coloca no lugar da vítima, mas sim no lugar do carrasco divino, sem opção de redenção.
No episódio White Bear, em Black Mirror, Victoria acorda sem memória. Ela olha para fotos de uma criança e de si mesma, tentando desesperadamente "se reconhecer" e busca no espelho (e nas fotos) uma unidade que foi apagada. Ela está em um estado de fragmentação corporal e psíquica.
Enquanto no desenvolvimento infantil o espelho liberta a criança da fragmentação, em "White Bear", a imagem é uma armadilha. Ela é forçada a assumir a identidade de "monstro" que o sistema (O Outro) preparou para ela, sem nunca ter acesso ao seu "Eu" histórico.
A multidão que filma Victoria com celulares representa um espelho perverso. Victoria se vê refletida nas telas de centenas de celulares, mas não há empatia. O "outro" aqui não a reconhece como humana, mas como um objeto de entretenimento.
A plateia se identifica com a "justiça", mas essa identificação só é possível através da desumanização de Victoria. Para que eles se sintam "bons", ela precisa ser o "mal absoluto".
O espelho (a sociedade) se recusa a refletir a humanidade do outro e a "identificação" aqui é invertida: o público não se coloca no lugar da vítima, mas sim no lugar do carrasco divino, sem opção de redenção.
