A importância do prenome na estruturação da imagem inconsciente do corpo
Citação de Tobias Balduino de Assuncao em julho 18, 2026, 3:22 pmAnalisando o material estudado, o caso clínico de Cristian/Renato ilustra de forma profunda os conceitos da psicanálise sobre a constituição do sujeito, especialmente no que tange à teoria da imagem inconsciente do corpo desenvolvida pela psicanalista Françoise Dolto. A autora postula que o nome próprio está intrinsecamente ligado ao corpo e à presença do outro desde o nascimento, contribuindo de forma determinante para a estruturação das imagens mais primitivas da criança. O prenome funciona como o conjunto de fonemas que acompanha o desenvolvimento sensorial do bebê, sendo o principal significante de sua relação inicial com a mãe ou cuidador.
No caso apresentado, a criança sofreu uma ruptura drástica aos doze meses, quando foi adotada e seus novos pais substituíram seu nome original, Renato, por Cristian. Como alerta a teoria de Dolto, trocar o prenome de uma criança traz um grave risco para o seu desenvolvimento psíquico, pois apaga a sua referência estruturante primordial. A recusa escolar, a incapacidade de escrever e o ato obsessivo de espalhar a letra R em todos os sentidos nos desenhos não eram meros problemas cognitivos ou pedagógicos. Eram, na verdade, manifestações do sujeito inconsciente tentando recuperar e sinalizar a sua identidade original e o fonema que lhe dava contorno psíquico.
A intervenção da psicanalista Joane foi essencial ao chamar repetidamente por Renato no espaço da sala, sem olhar diretamente para a criança. Ao fazer isso, ela convocou o sujeito através do som que o sustentou em seus primeiros meses de vida. A reação do menino, de aguçar os ouvidos e demonstrar uma intensidade excepcional no olhar, comprova que aquele prenome continuava vivo em sua imagem inconsciente do corpo, aguardando ser reconhecido e validado para que ele pudesse se reorganizar. Essa situação nos ensina que, para a psicanálise, o corpo vai muito além do biológico; ele é atravessado pela linguagem, pela história emocional e pelas marcas que o outro deposita sobre nós desde a nossa concepção.
Analisando o material estudado, o caso clínico de Cristian/Renato ilustra de forma profunda os conceitos da psicanálise sobre a constituição do sujeito, especialmente no que tange à teoria da imagem inconsciente do corpo desenvolvida pela psicanalista Françoise Dolto. A autora postula que o nome próprio está intrinsecamente ligado ao corpo e à presença do outro desde o nascimento, contribuindo de forma determinante para a estruturação das imagens mais primitivas da criança. O prenome funciona como o conjunto de fonemas que acompanha o desenvolvimento sensorial do bebê, sendo o principal significante de sua relação inicial com a mãe ou cuidador.
No caso apresentado, a criança sofreu uma ruptura drástica aos doze meses, quando foi adotada e seus novos pais substituíram seu nome original, Renato, por Cristian. Como alerta a teoria de Dolto, trocar o prenome de uma criança traz um grave risco para o seu desenvolvimento psíquico, pois apaga a sua referência estruturante primordial. A recusa escolar, a incapacidade de escrever e o ato obsessivo de espalhar a letra R em todos os sentidos nos desenhos não eram meros problemas cognitivos ou pedagógicos. Eram, na verdade, manifestações do sujeito inconsciente tentando recuperar e sinalizar a sua identidade original e o fonema que lhe dava contorno psíquico.
A intervenção da psicanalista Joane foi essencial ao chamar repetidamente por Renato no espaço da sala, sem olhar diretamente para a criança. Ao fazer isso, ela convocou o sujeito através do som que o sustentou em seus primeiros meses de vida. A reação do menino, de aguçar os ouvidos e demonstrar uma intensidade excepcional no olhar, comprova que aquele prenome continuava vivo em sua imagem inconsciente do corpo, aguardando ser reconhecido e validado para que ele pudesse se reorganizar. Essa situação nos ensina que, para a psicanálise, o corpo vai muito além do biológico; ele é atravessado pela linguagem, pela história emocional e pelas marcas que o outro deposita sobre nós desde a nossa concepção.
