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Desafio

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De acordo com a teoria psicanalítica de Sigmund Freud, a psique humana é formada por três instâncias que estão em constante diálogo e conflito: o id, o ego e o superego. O id é a parte mais primitiva e está presente desde o nascimento. Ele funciona pelo princípio do prazer, busca satisfação imediata dos desejos, não conhece regras, tempo ou moral. É puro impulso. O ego surge depois, por volta dos dois anos, com a necessidade de lidar com a realidade. Ele é o mediador entre os desejos do id e as exigências do mundo externo. Já o superego se forma mais tarde, por volta dos cinco anos, a partir da internalização das regras, valores e proibições dos pais e da sociedade. Ele funciona como uma consciência moral que julga e regula o comportamento.Quando olhamos para a situação da escola infantil, onde crianças menores de cinco anos brigam para pegar os brinquedos mesmo tendo brinquedos iguais, conseguimos entender esse fenômeno a partir do desenvolvimento dessas estruturas. Nessa faixa etária o id ainda é muito forte. A criança quer o brinquedo porque deseja naquele momento e não consegue tolerar a frustração de esperar ou de dividir. O ego ainda está em formação e tem pouca capacidade de lidar com a frustração, adiar a satisfação e entender o ponto de vista do outro. E o superego praticamente ainda não existe, porque as regras morais e sociais estão apenas começando a ser internalizadas. Por isso a briga não é por maldade, é porque a criança está operando quase que totalmente a partir do id, sem os freios que o ego e o superego vão oferecer com o tempo.O que deverá acontecer em sala de aula é justamente um trabalho de fortalecimento do ego e de construção do superego. Isso não acontece com bronca ou punição, mas com mediação constante dos adultos. As professoras precisam ajudar a criança a nomear o que sente, a esperar a vez, a entender que o outro também quer e sente. É através da repetição de limites claros, do exemplo, das combinados e da convivência que a criança vai aprendendo que nem tudo pode ser no tempo dela. Aos poucos o ego vai se fortalecendo para negociar entre o desejo e a realidade, e o superego vai se formando quando ela internaliza que compartilhar é uma regra do grupo. Esse processo leva tempo porque é o próprio desenvolvimento psíquico acontecendo. A escola nesse momento tem um papel fundamental de ser esse "ego auxiliar" até que a criança consiga fazer isso sozinha.

Segundo Freud, o superego começa a surgir por volta dos cinco anos de idade. Antes disso o domínio é do ego. 

  • O que está acontecendo com as crianças é que o ego delas está operando como uma instância que busca satisfazer os desejos do id, que é é desprovido de qualquer organização e é impulsionado pelo prazer e pela satisfação imediata. Se as necessidades não são satisfeitas imediatamente se gera um estado de ansiedade ou tensão, resultando nas brigas para pegar os brinquedos uns dos outros.

Como ajudar: Ajudá-las avaliar os prós e os contras de suas ações, aprendendo a controlar os impulsos antes de ceder a eles. Isso pode ser alcançado por meio de um jogo onde exista uma gratificação para aqueles que compartilham ou brigam menos, ou seja, exercitando o ego para gratificação em  circunstâncias adequadas.

As crianças abaixo dos cinco anos ainda estão desenvolvendo o ego e o superego. Por isso o id busca uma satisfação imediata dos seus desejos.

O brinquedo é o objeto de desejo da criança. O ego nessa idade é ainda muito frágil, resultando em baixa tolerância à frustração. Não é desobediência, e sim um processo neuropsíquico comum nessa fase. Muita conversa, rotatividade de brinquedos, ações da professora, quebrando aos poucos essa rigidez, para que a aceitação comece a ocorrer sem grandes stress.

ID: “Eu quero! É meu! Não vou dar!”

É o desejo imediato, sem considerar ainda plenamente o outro.

SUPEREGO:
Começa a aparecer por meio das regras e valores que a criança internaliza:

“Tem que dividir. A professora disse que é errado não dividir.”

Mas, aos 5 anos, essa regra ainda pode depender bastante da autoridade externa.

EGO:
É justamente o mediador:

“Eu quero continuar brincando, mas o outro também quer. Como podemos resolver?”

1. Nomear o desejo

“Você está brincando com esse brinquedo e quer continuar.”

Isso ajuda a criança a reconhecer o próprio desejo sem precisar agir impulsivamente.

2. Reconhecer o outro

“E o João também quer brincar com ele.”

Aqui começa a introdução da perspectiva do outro.

3. Colocar limite

“Você não precisa entregar agora porque alguém pediu, mas também não podemos impedir o João de brincar.”

O limite protege os dois.

4. Construir uma solução

“Vamos escolher: vocês podem brincar juntos ou você brinca mais cinco minutos e depois é a vez dele.”

 

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