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"Identificação e imagem: uma leitura psicanalítica do seriado Black Mirror" (Gomes, Pereira e Souza, 2017)

O artigo usa o episódio Urso Branco (White Bear) para mostrar como a sociedade atual dá um valor enorme à imagem, o que Debord chama de "sociedade do espetáculo". Na história, uma mulher acorda sem memória e é filmada por pessoas que não a ajudam. No final, descobre-se que ela filmou a tortura e a morte de uma criança e que vive uma punição que se repete todos os dias, assistida por um público sedento por "justiça". Os autores relacionam isso com a identificação (relação entre o eu e o outro, que nasce no estádio do espelho), com a culpa ligada ao superego e com a lógica do mito, em que o tempo é cíclico e nada de novo acontece. Segundo eles, para sair desse ciclo é preciso que o sujeito surja, rompendo com a identificação puramente imaginária e aceitando a singularidade do outro. Assim, abre-se espaço para a história e para o novo.

 "Conceito e princípios da imagem pessoal" 

O texto mostra como o eu se constitui na psicanálise, partindo do desamparo do recém-nascido e passando por três autores. Freud propõe as instâncias id, ego e superego. Lacan propõe o estádio do espelho, em que o eu nasce da identificação com a própria imagem e com o olhar do outro. Dolto diferencia a imagem do corpo, que é inconsciente e ligada à história de cada um, do esquema corporal, que é comum a toda a espécie humana. Também explica as representações sociais (psicologia social) e a imagem mental (psicologia cognitiva). A conclusão é que o corpo e sua imagem se formam pelas identificações, sob o olhar do outro, e são fundamentais para a constituição do sujeito.