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O Fort-Da e a Engrenagem do Desejo

O conceito de objeto faltante e desejo, ilustrado pelo clássico jogo do fort-da, mostra como a criança transforma o trauma da ausência (como a saída da mãe) em algo simbólico. Ao brincar de fazer o objeto sumir e voltar, ela deixa de ser refém da falta e passa a narrá-la. Esse "vazio" não é um defeito, mas o motor da vida psíquica: a mente precisa do "não completo" para continuar buscando e criando.

Na vida contemporânea, essa dinâmica apenas troca de roupagem. A falta se manifesta na busca incessante por status, na produtividade tóxica ou na espera pela "relação perfeita". Substituímos a mãe ausente por imagens e promessas de consumo que tentam, em vão, tapar esse buraco. Vivemos um fort.- da moderno: algo nos prende, depois escapa, e nesse intervalo a nossa mente trabalha dobrado produzindo fantasias e expectativas para suportar a carência e ausências.

Um ponto importante de aprendizagem do Modulo é que o desejo não surge de “um buraco vazio, do vácuo”, mas de um conhecimento profundo de que o objeto não é plenamente possuído. Por isso a vida fica cheia de “por enquanto”, “quase lá”, “quando acontecer…”. E a narrativa—seja na literatura, nos filmes, séries, nas redes sociais ou até na nossa maneira de contar nossa própria história—costuma seguir essa lógica: para haver enredo, precisa haver falta; e para haver alívio, costuma haver algum tipo de retorno (mesmo que seja parcial, adiado ou transformado).

Sem o vazio, não há movimento; sem a ausência, não há o que contar.

O que você acha desse ponto de vista e qual foi para você o ponto de aprendizagem que gostaria de destacar?

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