A imagem não se esgota no campo sensorial.
Citação de ROSEMEIRE PAGNI em abril 16, 2026, 7:18 pmO ponto de partida do debate é a constatação de que a imagem não se esgota no campo sensorial. A percepção e a interpretação são atravessadas pelo olhar do sujeito, pelo contexto social e cultural e pelos modos historicamente disponíveis de atribuição de sentido. Nessa perspectiva, a psicanálise (Lacan) contribui ao distinguir três registros estruturantes: imaginário, simbólico e real.
No imaginário, há uma relação dual com a imagem do semelhante, ligada à constituição do eu e às “ilusões” que organizam identificações. No simbólico, a imagem se articula à linguagem, à lei e à mediação cultural — isto é, ao que organiza o mundo como discurso. Já o real, na acepção psicanalítica, não equivale a “fato bruto”, mas ao que escapa à simbolização, permanecendo como resto irredutível no processo de significação. Assim, a imagem pode ser lida como um lugar em que a experiência do sujeito é estruturada por tensões entre ilusão, mediação cultural e aquilo que não se deixa totalizar.
Paradigmas fotográficos como “matrizes” de mediação
Ao deslocar essa estrutura psíquica para uma teoria da imagem, Santaella e Nöth propõem que a história da produção da imagem pode ser lida por três paradigmas, definidos sobretudo pela materialidade e pelo modo de operação:
- Paradigma pré-fotográfico: imagens artesanais, em que o corpo e a habilidade manual participam diretamente da produção; tendem a se articular ao imaginário, pois a completude é buscada na construção do olhar por meio de uma representação que permanece vinculada ao ponto de vista e ao gesto. A pre fotografia apresenta uma relação idílica e conflituosa com o imaginário.
- Paradigma fotográfico: imagens baseadas em registro e recorte; o ato fotográfico produz um “rastro/pista” do objeto, mas evidencia o descompasso entre mundo e representação — choque que sustenta a relação com o real (na dimensão de impossibilidade de adequação plena). A relação da imagem fotográfica com o real e de captura de um fragmento no espaço tempo.
- Paradigma pós-fotográfico: imagens sintéticas/computadorizadas produzidas por cálculo, com reiteração e manipulação facilitadas; tal regime desloca o olhar para a dimensão simbólica, pois a mediação se torna mais estrutural: códigos, programas e operações passam a organizar o que aparece. A relação da imagem pós-fotográfica com o simbólico é marcada pela dimensão do olhar da lei, da cultura, da estrutura, da linguagem.
Essa articulação sugere que não se trata apenas de “conteúdo” da imagem, mas do regime de produção e de relação que ela impõe ao observador.
O ponto de partida do debate é a constatação de que a imagem não se esgota no campo sensorial. A percepção e a interpretação são atravessadas pelo olhar do sujeito, pelo contexto social e cultural e pelos modos historicamente disponíveis de atribuição de sentido. Nessa perspectiva, a psicanálise (Lacan) contribui ao distinguir três registros estruturantes: imaginário, simbólico e real.
No imaginário, há uma relação dual com a imagem do semelhante, ligada à constituição do eu e às “ilusões” que organizam identificações. No simbólico, a imagem se articula à linguagem, à lei e à mediação cultural — isto é, ao que organiza o mundo como discurso. Já o real, na acepção psicanalítica, não equivale a “fato bruto”, mas ao que escapa à simbolização, permanecendo como resto irredutível no processo de significação. Assim, a imagem pode ser lida como um lugar em que a experiência do sujeito é estruturada por tensões entre ilusão, mediação cultural e aquilo que não se deixa totalizar.
Paradigmas fotográficos como “matrizes” de mediação
Ao deslocar essa estrutura psíquica para uma teoria da imagem, Santaella e Nöth propõem que a história da produção da imagem pode ser lida por três paradigmas, definidos sobretudo pela materialidade e pelo modo de operação:
- Paradigma pré-fotográfico: imagens artesanais, em que o corpo e a habilidade manual participam diretamente da produção; tendem a se articular ao imaginário, pois a completude é buscada na construção do olhar por meio de uma representação que permanece vinculada ao ponto de vista e ao gesto. A pre fotografia apresenta uma relação idílica e conflituosa com o imaginário.
- Paradigma fotográfico: imagens baseadas em registro e recorte; o ato fotográfico produz um “rastro/pista” do objeto, mas evidencia o descompasso entre mundo e representação — choque que sustenta a relação com o real (na dimensão de impossibilidade de adequação plena). A relação da imagem fotográfica com o real e de captura de um fragmento no espaço tempo.
- Paradigma pós-fotográfico: imagens sintéticas/computadorizadas produzidas por cálculo, com reiteração e manipulação facilitadas; tal regime desloca o olhar para a dimensão simbólica, pois a mediação se torna mais estrutural: códigos, programas e operações passam a organizar o que aparece. A relação da imagem pós-fotográfica com o simbólico é marcada pela dimensão do olhar da lei, da cultura, da estrutura, da linguagem.
Essa articulação sugere que não se trata apenas de “conteúdo” da imagem, mas do regime de produção e de relação que ela impõe ao observador.
