Forum

Please or Cadastrar to create posts and topics.

Desafio - Módulo II

PreviousPage 437 of 439Next

No caso dos irmãos gêmeos, a constituição do eu acontece de forma muito marcada pela presença do outro, pois cada um encontra no irmão uma imagem muito próxima de si. Pela teoria psicanalítica, isso pode favorecer a identificação, mas também dificultar a diferenciação entre “quem sou eu” e “quem é o outro”.

Assim, o estádio do espelho mostra que o eu se forma na relação com o outro, mas, no caso dos gêmeos, torna-se ainda mais importante que cada um seja reconhecido em sua singularidade, para que possa construir sua própria identidade.

No caso considerando que existe outra pessoa idêntica a ele na mesma casa, nesse primeiro momento, o ideal seria a mãe, conversar e explicar para esse filho que aquela pessoa é ele, pelo nome, se colocar junto a criança em frente ao espelho e fazer essa explicação, deixar o menino entender, tocar e aceitar que aquele reflexo e dele, e nesse momento explicar que ele tem um irmão idêntico, mas que são pessoas diferentes, e posteriormente fazer esse mesmo exercício junto com o seu irmão, os dois junto com a mãe em frente ao espelho.

Nesse caso em especifico dos gêmeos notamos uma ligação emocional entre o s gêmeos uma dependência de um pelo outro , o que se olhou no espelho não o reconhece como um individuo independente , não reconhece seu próprio "EU" e quando ve sua mãe procura um porto seguro para sua insegurança e se reporta a ela mencionando que seu irmão não quer brincar , nesse caso é preciso que se trabalhe com cada um dos gêmeos a importância da individualidade mostrando a eles que são seres idênticos na aparência mais de personalidade diferentes.

A situação dos irmão gêmeos pode ser explicada pela dificuldade na constituição da identidade psíquica.

No momento em que a criança se vê no espelho e acredita ser o irmão, percebemos uma falha temporária nesse processo de identificação, descrito por Lacam como estadio do espelho. Em vez de se reconhecer, ela projeta a imagem como sendo o outro, o que é intensificado pelo fato de existir um irmão exatamente igual.

Segundo Dolto, a imagem do corpo é construída nas relações e ainda não esta totalmente nessa fase, o que explica a confusão entre 'EU' E ' OUTRO'

A presença de um irmão gêmeo idêntico reforça a dificuldade da criança se ver através do espelho, embaralhando os limites entre eu e o outro.

ou seja: ele vê

mas não se apropria da imagem como sendo dele.

A história dos irmãos gêmeos nos ajuda a compreender como o sujeito se constrói a partir das relações com o outro, da linguagem, da imagem e do corpo . A brincadeira entre eles não é apenas um jogo, mas um espaço de construção da identidade. Quando um dos irmãos está ausente, o menino tenta recriar essa relação ao se dirigir ao espelho, mostrando que ainda não se percebe totalmente separado do outro.

A partir da Psicologia Sócio-Histórica, entendemos que o desenvolvimento ocorre nas interações sociais, sendo o outro fundamental na formação do eu. A Sociologia do Conhecimento reforça que a realidade é construída nas relações, e a ausência do irmão rompe essa construção, gerando angústia. Já na perspectiva de Habermas, a fala do menino revela uma tentativa de comunicação sem resposta, que só é restaurada quando a mãe acolhe e oferece sentido à experiência.

Na Psicanálise, Freud aponta que o eu se forma por identificações, enquanto Lacan mostra que o espelho é essencial na construção da identidade, embora ainda marcado por confusão entre o eu e o outro. Assim, o menino não se vê como indivíduo, mas ainda se reconhece na imagem do irmão. Além disso, o corpo e a imagem têm papel central nesse processo, sendo afetados pela ausência e pela tentativa de reconstrução simbólica da relação.

Essa cena mostra que o eu não nasce pronto, mas é construído nas relações, nas identificações e na linguagem. A ausência do outro desorganiza, e o acolhimento — como o da mãe — é fundamental para ajudar a criança a reconstruir sua identidade. Mesmo em situações simples da infância, percebemos a complexidade da formação psíquica.

O comportamento da criança diante do espelho significa que ela não reconhece a própria imagem, confundindo o seu reflexo com o seu irmão gêmeo idêntico.
Como os irmãos nunca haviam sido separados anteriormente, a ida de um deles para a escola enquanto o outro ficou doente em casa gerou uma situação inédita. Ao deparar-se com o espelho do armário, o menino doente acredita estar vendo o irmão e suplica para que ele pegue o cavalo de madeira e brinque com ele.
A angústia da criança vai aumentando porque a imagem refletida não atende ao seu pedido de forma independente. Isso a leva a atirar-se nos braços da mãe e reclamar que o seu irmão "não quer brincar de cavalo". O comportamento demonstra que, devido à aparência idêntica e à convivência ininterrupta, a criança projeta a presença do irmão ausente em seu próprio reflexo.

Essa situação representa muito o texto do artigo de construção da imagem social abordada. Como os gêmeos estão em fase de identificação do eu através do outro, e visto que eles são idênticos fisicamente, esse primeiro contato que temos da imagem no espelho e reconhecimento do corpo, pode, para eles, ter sido apresentada de forma diferente através do irmão gêmeo. Ao ver a imagem no espelho quando um fica sozinho e o outro está na escola, o irmão que ficou em casa acha que está vendo seu outro irmão e o mesmo não quis brincar com ele. Terá de associar que a sua própria imagem não é a que ele provavelmente estava construindo, ou seja, a imagem do irmão. Pode ter percebido pela primeira vez que o irmão não é ele mesmo.

Em relação aos irmãos gêmeos, tais impressões emocionais são estabelecidas no plano inconsciente ainda na fase gestacional. Esse registro primordial influenciará toda a trajetória de desenvolvimento deles, manifestando-se de forma contínua ao longo da vida. Essa dinâmica é inerente à condição humana, ocorrendo de maneira acentuada em gêmeos, onde o estado afetivo de um encontra ressonância direta na vivência do outro.

Eles são fisicamente idênticos. Crescem sendo constantemente confundidos, isso dificulta a construção da identidade.

Na cena descrita:

o menino ao ficar separado do irmão demonstra angústia da separação, ao falar com o espelho ele parece projetar no próprio reflexo a figura do irmão

Isso pode ser entendido como uma dificuldade momentânea de diferenciação do eu.
Uso de um recurso psíquico para lidar com a ausência

Necessidade do outro como apoio para sua própria organização psíquica.

Trata-se de um exemplo de vínculo muito intenso e pouca diferenciação psíquica entre os irmãos.Algo comum em gêmeos, principalmente na infância.

O caso apresentado ilustra um momento em que o irmão ainda não reconhece a imagem do espelho como sendo sua imagem. Como sempre fez todas as atividades cotidianas com o irmão, talvez não tenha vivenciado o seu momento de "diferenciação do outro e do mundo". Neste instante, a imagem no espelho não é sua imagem, mas tão somente o irmão que sempre o acompanha.

A ausência de um estado de "desamparo" ao longo de sua curta existência, talvez, tenha impedido que ele avançasse na maturação da consciência de sua própria pessoalidade

PreviousPage 437 of 439Next