Desafio - Módulo IV
Citação de JUVENAL JAYME DO NASCIMENTO NETO em novembro 14, 2025, 1:18 amPrimeiramente creio que para que se alcance a plenitude de um bom andamento, nessa questão, independentemente da busca para se alcançar, necessário será também um atendimento bastante humanitário por partes dos profissionais.
Primeiramente creio que para que se alcance a plenitude de um bom andamento, nessa questão, independentemente da busca para se alcançar, necessário será também um atendimento bastante humanitário por partes dos profissionais.
Citação de Paulafsc em novembro 17, 2025, 6:02 pmCom base nas práticas de psicologia, é necessário e imprescindível o contato e relacionamento horizontal entre paciente e profissionais da saúde.
No case de relacionamento horizontal, no caso do profissional de psicologia/psicanalista e os demais colegas de trabalho, é importante para manter a qualidade do atendimento e ou intervenção de acordo com os dados apresentados pelo paciente. Pois em muitos casos, é necessário a intervenção de uma equipe multidisciplinar, em prol do cuidado dos pacientes.
Agora, quando falamos de atendimento do terapeuta para o paciente, é necessário, manter um relacionamento horizontal, para que ocorra a conexão com o paciente, algo imprescindível para o desenvolvimento e qualidade do atendimento. A partir do momento que o paciente, se sentir confortável para trazer suas demandas, falar abertamente, tópicos que serão valiosos para trabalhar o emocional, sentimentos, autoconhecimento.
Com base nas práticas de psicologia, é necessário e imprescindível o contato e relacionamento horizontal entre paciente e profissionais da saúde.
No case de relacionamento horizontal, no caso do profissional de psicologia/psicanalista e os demais colegas de trabalho, é importante para manter a qualidade do atendimento e ou intervenção de acordo com os dados apresentados pelo paciente. Pois em muitos casos, é necessário a intervenção de uma equipe multidisciplinar, em prol do cuidado dos pacientes.
Agora, quando falamos de atendimento do terapeuta para o paciente, é necessário, manter um relacionamento horizontal, para que ocorra a conexão com o paciente, algo imprescindível para o desenvolvimento e qualidade do atendimento. A partir do momento que o paciente, se sentir confortável para trazer suas demandas, falar abertamente, tópicos que serão valiosos para trabalhar o emocional, sentimentos, autoconhecimento.
Citação de Simone Barbosa em novembro 18, 2025, 1:10 pmSe eu fizesse parte de uma equipe, faríamos uma reunião,para que juntos tomassemos a decisão sobre o caso do paciente,junto a , psicólogos, psiquiatras , psicanalistas.So aí então depois de um parecer em equipe,tomariamos a decisão mais eficaz para o paciente.Inforamando a família e ao paciente.
Se eu fizesse parte de uma equipe, faríamos uma reunião,para que juntos tomassemos a decisão sobre o caso do paciente,junto a , psicólogos, psiquiatras , psicanalistas.So aí então depois de um parecer em equipe,tomariamos a decisão mais eficaz para o paciente.Inforamando a família e ao paciente.
Citação de Max Maciel Nascimento de Araujo em novembro 18, 2025, 11:01 pmA constituição de um espaço de cuidado horizontal depende, antes de tudo, do reconhecimento do usuário como sujeito, isto é, como alguém portador de história, desejo e modos singulares de estar no mundo. Quando a equipe de saúde considera não apenas o diagnóstico ou o protocolo, mas sobretudo os vínculos que se estabelecem na relação entre profissional e usuário, ela desloca o foco do procedimento técnico para o encontro humano, que é sempre singular e imprevisível.
Sob uma perspectiva psicanalítica, o sujeito não é reduzido à sua queixa ou ao seu sintoma; ele se constitui na relação, no modo como se implica na própria demanda e como responde às intervenções dos profissionais. Assim, ao abrir espaço para que o usuário possa falar, expressar suas angústias, suas dúvidas, suas resistências e também seus saberes sobre si, cria-se uma relação que se dá “entre sujeitos”, e não entre um detentor de saber e um paciente passivo.
Essa mudança de posição produz efeitos importantes no cuidado. O vínculo permite maior adesão, aumenta a confiança e favorece que o usuário participe ativamente das decisões sobre seu tratamento. Do lado da equipe, gera uma escuta menos hierarquizada, mais sensível e capaz de reconhecer que o cuidado é um processo compartilhado.
Portanto, a proposição que valoriza os vínculos e a condição de sujeito contribui para a construção de um cuidado horizontal porque redistribui lugares, deslocando o profissional do papel exclusivo de quem conduz e o usuário do lugar de quem apenas recebe. Surge, em seu lugar, uma relação colaborativa, na qual ambos constroem o percurso terapêutico. Esse modo de operar não apenas fortalece a autonomia do usuário, mas também sustenta práticas mais éticas, humanizadas e coerentes com os princípios do SUS.
A constituição de um espaço de cuidado horizontal depende, antes de tudo, do reconhecimento do usuário como sujeito, isto é, como alguém portador de história, desejo e modos singulares de estar no mundo. Quando a equipe de saúde considera não apenas o diagnóstico ou o protocolo, mas sobretudo os vínculos que se estabelecem na relação entre profissional e usuário, ela desloca o foco do procedimento técnico para o encontro humano, que é sempre singular e imprevisível.
Sob uma perspectiva psicanalítica, o sujeito não é reduzido à sua queixa ou ao seu sintoma; ele se constitui na relação, no modo como se implica na própria demanda e como responde às intervenções dos profissionais. Assim, ao abrir espaço para que o usuário possa falar, expressar suas angústias, suas dúvidas, suas resistências e também seus saberes sobre si, cria-se uma relação que se dá “entre sujeitos”, e não entre um detentor de saber e um paciente passivo.
Essa mudança de posição produz efeitos importantes no cuidado. O vínculo permite maior adesão, aumenta a confiança e favorece que o usuário participe ativamente das decisões sobre seu tratamento. Do lado da equipe, gera uma escuta menos hierarquizada, mais sensível e capaz de reconhecer que o cuidado é um processo compartilhado.
Portanto, a proposição que valoriza os vínculos e a condição de sujeito contribui para a construção de um cuidado horizontal porque redistribui lugares, deslocando o profissional do papel exclusivo de quem conduz e o usuário do lugar de quem apenas recebe. Surge, em seu lugar, uma relação colaborativa, na qual ambos constroem o percurso terapêutico. Esse modo de operar não apenas fortalece a autonomia do usuário, mas também sustenta práticas mais éticas, humanizadas e coerentes com os princípios do SUS.
Citação de Marcos Antonio Campos em novembro 19, 2025, 1:38 pmA intervenção de um psicanalista seria suma importância para uma orientação organizada e um clareamento das ideias , visando reforçar a conduta mais adequada no tratamento do paciente.
A intervenção de um psicanalista seria suma importância para uma orientação organizada e um clareamento das ideias , visando reforçar a conduta mais adequada no tratamento do paciente.
Citação de fillipelopes em novembro 20, 2025, 10:37 amA proposição que considera os vínculos entre usuário e profissional e reconhece o usuário como sujeito possibilita a constituição de um espaço de cuidado horizontal porque rompe com a lógica verticalizada dos saberes e das posições hierárquicas tradicionalmente presentes na clínica. Quando o usuário é reconhecido como sujeito — isto é, alguém que possui uma história, um desejo, um modo singular de sofrer e de significar sua experiência — ele deixa de ser um mero objeto de intervenção técnica e passa a ocupar um lugar ativo na construção do cuidado. A Psicanálise, ao enfatizar a importância da escuta, da relação e do reconhecimento da subjetividade, oferece um fundamento essencial para essa postura, pois convoca o profissional a implicar-se na relação e a acolher o discurso do usuário sem reduzi-lo a um conjunto de sintomas. Assim, o vínculo torna-se o eixo do processo terapêutico: é nele que se produz confiança, corresponsabilidade e abertura para trocas verdadeiras. Essa dinâmica estabelece uma horizontalidade, uma vez que o cuidado passa a ser construído com o usuário, e não para ele, permitindo que o plano terapêutico seja resultado de uma negociação entre saberes — o técnico e o da experiência — e não de uma imposição. Dessa forma, reconhecer o usuário como sujeito e valorizar os vínculos efetivamente transforma o espaço de saúde em um espaço de encontro, escuta e produção compartilhada de cuidado.
A proposição que considera os vínculos entre usuário e profissional e reconhece o usuário como sujeito possibilita a constituição de um espaço de cuidado horizontal porque rompe com a lógica verticalizada dos saberes e das posições hierárquicas tradicionalmente presentes na clínica. Quando o usuário é reconhecido como sujeito — isto é, alguém que possui uma história, um desejo, um modo singular de sofrer e de significar sua experiência — ele deixa de ser um mero objeto de intervenção técnica e passa a ocupar um lugar ativo na construção do cuidado. A Psicanálise, ao enfatizar a importância da escuta, da relação e do reconhecimento da subjetividade, oferece um fundamento essencial para essa postura, pois convoca o profissional a implicar-se na relação e a acolher o discurso do usuário sem reduzi-lo a um conjunto de sintomas. Assim, o vínculo torna-se o eixo do processo terapêutico: é nele que se produz confiança, corresponsabilidade e abertura para trocas verdadeiras. Essa dinâmica estabelece uma horizontalidade, uma vez que o cuidado passa a ser construído com o usuário, e não para ele, permitindo que o plano terapêutico seja resultado de uma negociação entre saberes — o técnico e o da experiência — e não de uma imposição. Dessa forma, reconhecer o usuário como sujeito e valorizar os vínculos efetivamente transforma o espaço de saúde em um espaço de encontro, escuta e produção compartilhada de cuidado.
Citação de Benedita Selma anunciacao romao em novembro 20, 2025, 10:58 amÉ preciso que o profissional esteja com objetivo de ajudar o paciente. Que tenha um olhar humano e compreensivo .
É preciso que o profissional esteja com objetivo de ajudar o paciente. Que tenha um olhar humano e compreensivo .
Citação de aldorobes@outlook.com em novembro 20, 2025, 7:35 pmA análise sobre o modelo de atenção em saúde revela uma tensão epistemológica fundamental entre o paradigma tradicional, pautado na verticalidade técnico-científica, e a exigência de um cuidado genuinamente efetivo e ético. O desafio apresentado, que busca a promoção de um espaço de cuidado horizontal, tenciona a superação do modelo histórico que tende a fragmentar o sujeito. A proposta é justamente construir um ambiente onde o usuário possa emergir como agente no engajamento das ações, em um processo de cocuidado, o que demanda uma profunda reflexão sobre as bases filosóficas e as implicações clínicas da relação entre quem cuida e quem é cuidado.
O modelo biomédico, que historicamente estruturou a prática sanitária, funda-se numa matriz positivista e mecanicista, concebendo o corpo como uma máquina passível de reparo e a doença como uma disfunção puramente orgânica, externa à dimensão subjetiva. Nesta ótica, a relação de cuidado é intrinsecamente hierárquica e verticalizada. O profissional, munido do saber técnico e da autoridade institucional, assume a posição ativa de agente de correção, enquanto o paciente, reduzido à sua patologia, ocupa o lugar passivo de objeto de intervenção. Tal verticalidade promove o silenciamento da narrativa singular do sujeito e reforça uma assimetria de poder que, embora possa ser funcional em contextos de urgência e emergência, revela-se profundamente limitante e, por vezes, iatrogênica, no manejo das condições crônicas e da saúde mental. A fragmentação do sujeito é o custo inerente a esse modelo, onde a alma, a história e o desejo são apartados do corpo a ser tratado, culminando numa prática desumanizada e ineficaz para a promoção integral da saúde.
A Psicanálise oferece o suporte teórico essencial para a construção de uma horizontalidade ética, pois lida diretamente com a ética do desejo e do sujeito, elementos frequentemente negligenciados nos modelos de saúde verticalizados. Freud, ao fundar a Psicanálise, estabeleceu um dispositivo clínico baseado na associação livre e na atenção flutuante, princípios que, quando extrapolados para o campo da saúde coletiva, funcionam como um poderoso antídoto contra a reificação. Em um modelo tradicional de atenção, o saber do especialista tende a reificar o usuário à condição de um "caso" a ser corrigido, silenciando sua singularidade e sua capacidade de agir sobre seu próprio processo. A horizontalidade, como dimensão ética, reside na constituição de um sujeito do cocuidado, ou seja, um sujeito que não apenas recebe a ação, mas a coproduz. O cuidado não é algo dado de cima para baixo, mas sim um campo de intersubjetividade construído na dialética entre o saber técnico e a experiência vivida do usuário.
Para que o cuidado se horizontalize, é imperativo que o profissional se posicione na função de escuta, e não primariamente na de emissão de diagnóstico. A escuta psicanalítica, nesse contexto ampliado, implica o reconhecimento de que o sintoma, a doença ou o sofrimento não são meros desvios estatísticos, mas formações que carregam um sentido a ser decifrado e articulado pelo próprio sujeito.
A Valorização da Singularidade é o primeiro pilar. Isso exige que o profissional consiga reconhecer que a etiologia do sofrimento não está apenas nos fatores externos, biológicos ou sociais, mas na história singular do indivíduo e em seu universo simbólico. A Psicanálise insiste que a história do sintoma é a história do sujeito. Portanto, a narrativa do usuário tem peso de intervenção e deve ser a via régia para a produção de sentido. O profissional, em vez de se apressar em classificar o fenômeno em categorias diagnósticas pré-estabelecidas, deve suspender seu próprio juízo e permitir que o sujeito desdobre sua singularidade no tempo e no espaço do tratamento. A escuta da queixa como porta de entrada para a demanda inconsciente transforma o ato de falar em um ato terapêutico em si.
O Manejo da Assimetria constitui o segundo pilar. É inevitável que exista uma assimetria de saber técnico e de poder institucional na relação de cuidado. A horizontalidade não é a negação utópica da diferença de papéis, mas sim o manejo ético e consciente desse poder, mediado pelo conceito de transferência. O profissional, ciente de que o paciente projeta sobre ele figuras de autoridade e expectativas de cura mágica, deve utilizar essa dinâmica transferencial não para exercer controle, mas para devolver ao sujeito a responsabilidade pela condução do seu processo. O analista, ou o profissional orientado pela ética psicanalítica, opera na função de terceiro, não se colocando no lugar de completude do paciente, mas abrindo um espaço para que a falta e o desejo possam ser articulados. Esse manejo ético do poder é o que impede que a assimetria se converta em verticalidade opressora.
O terceiro pilar é o Abandono da Onipotência Curativa. O ato de cuidar deve ser um convite ao engajamento ativo do sujeito no seu tratamento, promovendo a autonomia e o reconhecimento de que a saúde é uma construção de responsabilidade compartilhada. A Psicanálise, ao rejeitar a sugestão e a educação direta como métodos de cura, força o sujeito a produzir suas próprias soluções a partir da verdade de seu desejo. Transpor este princípio para o campo da saúde implica o reconhecimento da limitação do saber técnico diante da complexidade do viver. O profissional é um mediador de recursos e sentidos, não um redentor. Ao abandonar a fantasia de que pode "salvar" o outro, ele convoca o sujeito a assumir a autoria de sua própria vida e, consequentemente, de seu processo de cura e manutenção da saúde. O cocuidado é o reconhecimento prático de que o locus de transformação reside no próprio sujeito.
A transição desse modelo pressupõe, portanto, uma mudança na formação e na atuação profissional, exigindo do cuidador uma constante análise de suas próprias idealizações e resistências. A ética psicanalítica, neste sentido, é uma ética do limite e da falta: o limite do próprio saber e a falta constitutiva do ser humano que o impulsiona ao desejo.
Em suma, a Psicanálise, ao colocar o sujeito e sua dimensão inconsciente no centro do processo, fornece a chave para um caminho alternativo de atenção. O cuidado horizontal é aquele em que o saber técnico se coloca a serviço da produção de um sujeito ativo e desejante em seu próprio processo de cura. Essa horizontalidade resgata a dimensão política e subjetiva da saúde, transformando o ato de cuidar de uma mera intervenção em um verdadeiro encontro intersubjetivo que configura um autêntico e sustentável espaço de cocuidado. A saúde, nessa perspectiva, deixa de ser a ausência de doença e passa a ser a capacidade do sujeito de negociar seu desejo e sua história com as exigências da realidade, uma tarefa que só pode ser realizada em parceria e não sob comando vertical. O desafio da saúde pública e clínica do século XXI é incorporar essa ética da escuta e da autoria como requisito fundamental para a integralidade do ser.
A continuidade dessa análise nos leva à crítica de como as instituições de saúde, ainda baseadas em protocolos rígidos e na produtividade quantitativa, resistem a essa horizontalização. O tempo clínico necessário para a escuta, essencial para a produção de sentido, é constantemente ameaçado pela lógica administrativa da celeridade e da alta demanda. O processo de cocuidado requer tempo e espaço para que a transferência se estabeleça e possa ser manejada, e para que o sujeito possa articular sua fala. A verdadeira superação do modelo histórico não se dará apenas pela mudança de postura individual do profissional, mas pela reestruturação dos dispositivos institucionais que devem valorizar o tempo da subjetividade como um recurso terapêutico essencial. Este é o horizonte ético da Psicanálise no campo da saúde: afirmar a primazia do sujeito sobre o protocolo e da singularidade sobre a norma estatística, consagrando o cuidado como um ato de liberdade compartilhada.
A análise sobre o modelo de atenção em saúde revela uma tensão epistemológica fundamental entre o paradigma tradicional, pautado na verticalidade técnico-científica, e a exigência de um cuidado genuinamente efetivo e ético. O desafio apresentado, que busca a promoção de um espaço de cuidado horizontal, tenciona a superação do modelo histórico que tende a fragmentar o sujeito. A proposta é justamente construir um ambiente onde o usuário possa emergir como agente no engajamento das ações, em um processo de cocuidado, o que demanda uma profunda reflexão sobre as bases filosóficas e as implicações clínicas da relação entre quem cuida e quem é cuidado.
O modelo biomédico, que historicamente estruturou a prática sanitária, funda-se numa matriz positivista e mecanicista, concebendo o corpo como uma máquina passível de reparo e a doença como uma disfunção puramente orgânica, externa à dimensão subjetiva. Nesta ótica, a relação de cuidado é intrinsecamente hierárquica e verticalizada. O profissional, munido do saber técnico e da autoridade institucional, assume a posição ativa de agente de correção, enquanto o paciente, reduzido à sua patologia, ocupa o lugar passivo de objeto de intervenção. Tal verticalidade promove o silenciamento da narrativa singular do sujeito e reforça uma assimetria de poder que, embora possa ser funcional em contextos de urgência e emergência, revela-se profundamente limitante e, por vezes, iatrogênica, no manejo das condições crônicas e da saúde mental. A fragmentação do sujeito é o custo inerente a esse modelo, onde a alma, a história e o desejo são apartados do corpo a ser tratado, culminando numa prática desumanizada e ineficaz para a promoção integral da saúde.
A Psicanálise oferece o suporte teórico essencial para a construção de uma horizontalidade ética, pois lida diretamente com a ética do desejo e do sujeito, elementos frequentemente negligenciados nos modelos de saúde verticalizados. Freud, ao fundar a Psicanálise, estabeleceu um dispositivo clínico baseado na associação livre e na atenção flutuante, princípios que, quando extrapolados para o campo da saúde coletiva, funcionam como um poderoso antídoto contra a reificação. Em um modelo tradicional de atenção, o saber do especialista tende a reificar o usuário à condição de um "caso" a ser corrigido, silenciando sua singularidade e sua capacidade de agir sobre seu próprio processo. A horizontalidade, como dimensão ética, reside na constituição de um sujeito do cocuidado, ou seja, um sujeito que não apenas recebe a ação, mas a coproduz. O cuidado não é algo dado de cima para baixo, mas sim um campo de intersubjetividade construído na dialética entre o saber técnico e a experiência vivida do usuário.
Para que o cuidado se horizontalize, é imperativo que o profissional se posicione na função de escuta, e não primariamente na de emissão de diagnóstico. A escuta psicanalítica, nesse contexto ampliado, implica o reconhecimento de que o sintoma, a doença ou o sofrimento não são meros desvios estatísticos, mas formações que carregam um sentido a ser decifrado e articulado pelo próprio sujeito.
A Valorização da Singularidade é o primeiro pilar. Isso exige que o profissional consiga reconhecer que a etiologia do sofrimento não está apenas nos fatores externos, biológicos ou sociais, mas na história singular do indivíduo e em seu universo simbólico. A Psicanálise insiste que a história do sintoma é a história do sujeito. Portanto, a narrativa do usuário tem peso de intervenção e deve ser a via régia para a produção de sentido. O profissional, em vez de se apressar em classificar o fenômeno em categorias diagnósticas pré-estabelecidas, deve suspender seu próprio juízo e permitir que o sujeito desdobre sua singularidade no tempo e no espaço do tratamento. A escuta da queixa como porta de entrada para a demanda inconsciente transforma o ato de falar em um ato terapêutico em si.
O Manejo da Assimetria constitui o segundo pilar. É inevitável que exista uma assimetria de saber técnico e de poder institucional na relação de cuidado. A horizontalidade não é a negação utópica da diferença de papéis, mas sim o manejo ético e consciente desse poder, mediado pelo conceito de transferência. O profissional, ciente de que o paciente projeta sobre ele figuras de autoridade e expectativas de cura mágica, deve utilizar essa dinâmica transferencial não para exercer controle, mas para devolver ao sujeito a responsabilidade pela condução do seu processo. O analista, ou o profissional orientado pela ética psicanalítica, opera na função de terceiro, não se colocando no lugar de completude do paciente, mas abrindo um espaço para que a falta e o desejo possam ser articulados. Esse manejo ético do poder é o que impede que a assimetria se converta em verticalidade opressora.
O terceiro pilar é o Abandono da Onipotência Curativa. O ato de cuidar deve ser um convite ao engajamento ativo do sujeito no seu tratamento, promovendo a autonomia e o reconhecimento de que a saúde é uma construção de responsabilidade compartilhada. A Psicanálise, ao rejeitar a sugestão e a educação direta como métodos de cura, força o sujeito a produzir suas próprias soluções a partir da verdade de seu desejo. Transpor este princípio para o campo da saúde implica o reconhecimento da limitação do saber técnico diante da complexidade do viver. O profissional é um mediador de recursos e sentidos, não um redentor. Ao abandonar a fantasia de que pode "salvar" o outro, ele convoca o sujeito a assumir a autoria de sua própria vida e, consequentemente, de seu processo de cura e manutenção da saúde. O cocuidado é o reconhecimento prático de que o locus de transformação reside no próprio sujeito.
A transição desse modelo pressupõe, portanto, uma mudança na formação e na atuação profissional, exigindo do cuidador uma constante análise de suas próprias idealizações e resistências. A ética psicanalítica, neste sentido, é uma ética do limite e da falta: o limite do próprio saber e a falta constitutiva do ser humano que o impulsiona ao desejo.
Em suma, a Psicanálise, ao colocar o sujeito e sua dimensão inconsciente no centro do processo, fornece a chave para um caminho alternativo de atenção. O cuidado horizontal é aquele em que o saber técnico se coloca a serviço da produção de um sujeito ativo e desejante em seu próprio processo de cura. Essa horizontalidade resgata a dimensão política e subjetiva da saúde, transformando o ato de cuidar de uma mera intervenção em um verdadeiro encontro intersubjetivo que configura um autêntico e sustentável espaço de cocuidado. A saúde, nessa perspectiva, deixa de ser a ausência de doença e passa a ser a capacidade do sujeito de negociar seu desejo e sua história com as exigências da realidade, uma tarefa que só pode ser realizada em parceria e não sob comando vertical. O desafio da saúde pública e clínica do século XXI é incorporar essa ética da escuta e da autoria como requisito fundamental para a integralidade do ser.
A continuidade dessa análise nos leva à crítica de como as instituições de saúde, ainda baseadas em protocolos rígidos e na produtividade quantitativa, resistem a essa horizontalização. O tempo clínico necessário para a escuta, essencial para a produção de sentido, é constantemente ameaçado pela lógica administrativa da celeridade e da alta demanda. O processo de cocuidado requer tempo e espaço para que a transferência se estabeleça e possa ser manejada, e para que o sujeito possa articular sua fala. A verdadeira superação do modelo histórico não se dará apenas pela mudança de postura individual do profissional, mas pela reestruturação dos dispositivos institucionais que devem valorizar o tempo da subjetividade como um recurso terapêutico essencial. Este é o horizonte ético da Psicanálise no campo da saúde: afirmar a primazia do sujeito sobre o protocolo e da singularidade sobre a norma estatística, consagrando o cuidado como um ato de liberdade compartilhada.
Citação de Sônia Cardoso de Oliveira em novembro 20, 2025, 9:46 pmAssim como existem varias escolas oriundas da psicologia, que visam contrariar ou aperfeicoar o que ja existe, para contribuir com a a saúde psiquica a exemplo de Freud, Lacan, Watson, Skinner e outros, compreende-se a importância de varias opinioes. Feito de forma horizontal daria a idéia de proximidade e empatia, o que certamente auxiliaria no tratamento mais assertivo.
Assim como existem varias escolas oriundas da psicologia, que visam contrariar ou aperfeicoar o que ja existe, para contribuir com a a saúde psiquica a exemplo de Freud, Lacan, Watson, Skinner e outros, compreende-se a importância de varias opinioes. Feito de forma horizontal daria a idéia de proximidade e empatia, o que certamente auxiliaria no tratamento mais assertivo.
Citação de Keila barreto em novembro 20, 2025, 10:24 pmUma proposição que considera os vínculos entre usuário e profissional e a condição de sujeito daquele possibilita a constituição de um espaço de cuidado horizontal por vários motivos.
Fortalecimento da relação terapêutica
Inclusão de cinhecimento do usuário
Autonomia e empoderamento
Abordagem holística
Uma proposição que considera os vínculos entre usuário e profissional e a condição de sujeito daquele possibilita a constituição de um espaço de cuidado horizontal por vários motivos.
Fortalecimento da relação terapêutica
Inclusão de cinhecimento do usuário
Autonomia e empoderamento
Abordagem holística
