Forum

Please or Cadastrar to create posts and topics.

Desafio - Módulo VI

PreviousPage 214 of 216Next

No caso de Laura, o mecanismo de defesa predominante é o deslocamento, associado ao uso da fantasia onipotente. O afeto de inveja em relação ao irmão recém-nascido, difícil de ser reconhecido e tolerado pelo ego durante o período de latência, não se manifesta de forma direta. Em vez disso, é deslocado para um jogo imaginário no qual Laura assume o papel de um mágico capaz de transformar ou controlar o mundo. Essa construção fantasística funciona como uma solução inconsciente que permite a expressão indireta do impulso hostil, reduzindo a angústia e preservando o equilíbrio psíquico, conforme descrito pela teoria freudiana dos mecanismos de defesa.

O mecanismo de defesa descrito no caso de Laura é a repressão. Ela simplesmente tenta ignorar o irmãozinho simulando que é um mágico para possivelmente chamar a atenção para si ou tirar a atenção dos pais do irmão.

REPRESSÃO: " É dos mecanismos mais comuns de defesa do ego. Seu significado é o de retirar algo do consciente, levando-o para o inconsciente, ou seja, mantendo distante alguma imagem ou percepção insuportável. Obstaculiza sentimentos e experiências desagradáveis da consciência".

Entendo que nesse caso o conteúdo recalcado se manifesta através do mecanismo de defesa "deslocamento" onde a criança leva a problemática para outra realidade (fantasiosa) como forma de suprimir o seu id.

Laura nega sua realidade por não admitir a inveja como sentimento pelo irmão. Acha melhor criar um mundo mágico para mudar seu próprio interior e suportar esse mundo, pois não admite a ideia de inveja, uma coisa degradante para o sujeito e fora dos padrões morais da sociedade

 

  1. Laura tenta diminuir sua insatisfação criando um mundo irreal e modificando a realidade. Assim ela consegue nega aquilo que incomoda

O mecanismo de defesa de Laura é a formação reativa, com possíveis ligações à projeção e a sublimação.

A inveja e os ciúmes do irmão recém-nascido são negados e substituídos por imaginário onde elas se apresenta com um mágico poderoso.

Durante a latência, esses mecanismos ajudam o ego a lidar com pulsões inaceitáveis, conforme destacado por Ana Freud

Para a psicanálise, o ciúme é uma resposta natural sobre o bebê como um concorrente pela atenção e amor dos pais. Nessa fase de latência, recorre a fantasia do mágico para utilizar mecanismos de defesa para lidar com o desamparo e a perda de simbólica de seu lugar de filho único ou centro das atenções. O significado dessa fantasia, de acordo com os conceitos de Donald Winnicott, a criança usa a fantasia como fenômeno transicional para reconstruir um espaço onde ela tenha controle e importância.

Ao dizer que possui poderes de transformar, ela tenta recuperar seu lugar que sente ter perdido com a chegada do irmão. É uma forma de dizer '' eu ainda sou especial e posso mudar a realidade que me dói''. Esse comportamento, também pode ser visto como uma tentativa de sublimar impulsos agressivos, como querer que o bebê desapareça ou vire outra coisa.

COMO LIDAR DENTRO DA PSICANÁLISE

Evite reprimir ou punir o ciúme. A psicanálise sugere escutar e validar o que a criança sente, ajudando a nomear a angústia em vez de agir sobre ela;

Reserve momentos exclusivos de atenção para o mais velho. Isso ajuda a fortalecer o ego, reduzindo a necessidade de buscar refúgio em fantasias para se sentir seguro;

Entrar na brincadeira ao invés de desmentir os poderes, interagindo com a criança: '' como você é magico, consegue ajudar a transformar o ambiente em um lugar calmo para bebê?''.

Caso a fantasia interfira na vida social e escolar da criança, recomenda-se uma psicanalista infantil para ajudar na elaboração deste luto simbólico.

A construção do ego corporal, conceito de Freud, define o ''eu-ego'' como derivado primariamente das sensações e da superfície do corpo. Esse processo ocorre por meio da unificação narcísica de vivências táteis e sensoriais nos primeiros meses de vida, funcionando como uma pele psíquica que separa o indivíduo do mundo externo.

Freud afirmou que o ego é antes de tudo um ego corporal , servindo de base para o desenvolvimento do psiquismo;

O bebê, inicialmente fragmentado, unifica sua imagem corporal através da libido (narcisismo) e experiências sensoriais,;

A construção do eu passa pelo olhar do outro (mãe/cuidador), que deseja e nomeia o corpo, tornando-o um sujeito;

O ego funciona como uma membrana que contém o id e lida com a realidade sendo fundamental na simbolização primária e na redução de angústias primitivas;

A gestação psíquica transforma o corpo somático em um corpo psíquico, integrando sensações á linguagem e representação mental.

No caso apresentado, observa-se a atuação do mecanismo de defesa da formação reativa, associado à onipotência do pensamento infantil. A criança, diante da inveja e do ciúme do irmão recém-nascido, afetos socialmente e psiquicamente difíceis de sustentar , reprime esse impulso e o transforma em um comportamento aparentemente oposto, expresso por meio de jogos imaginários com poderes mágicos. Dessa forma, o ego encontra uma solução defensiva para lidar com o conflito pulsional, mantendo o afeto recalcado afastado da consciência e preservando o equilíbrio psíquico.

Ao meu ver Laura está a fantasiar um sentimento reprimido, ocasionando se não da razão, por algo que está encoberto no seu inconsciente. Poderia até mesmo alinhar tal situação ao complexo de Édipo, mas como se trata de qual mecanismo, vejo que há uma ação do id sendo assim reprimido pelo ego, no meu ponto de vista.

PreviousPage 214 of 216Next