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Desafio - Módulo VII

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As pessoas vivem na sociedade do espetáculo e acreditam nela. E também, as pessoas vão acreditar no que querem acreditar. A pobre moça do Guarujá, foi apenas, um BODE EXPIATÓRIO, para o grupo daquela comunidade em si, extravasar a raiva incutida das suas vivências do dia a dia, através do linchamento de uma SUPOSTA sequestradora de crianças.

CREDIBILIDADE CONTEXTUAL

e construida por contextos sociais religiosos ou emocionais assumindo como verdade absoluta a imagem e validada por crencas pre -existentes como o medo de um crime coletivo tornando o relato falso uma reliadade aceita pelo grupo;

a capacidade de ressoar com as emocoes e preceitos do espectador quando a imagem confirma o que o individuo ja sente

Entendemos que é definida como real ou mais real que outras por marcadores visuais de confiança, como por exemplo a alta resolução com detalhes nítidos e contextos bem conhecidos, construindo assim uma de representação social aceita da realidade. Leitores tomam imagens como reais nas redes sociais devido à identificação com crenças pessoais como a crença na autoridade da fonte e à velocidade de compartilhamento, que substitui a reflexão crítica pela emoção e aceitação imediata apresentada diante de seus olhos.

1)
Uma imagem é percebida como mais “real” quando apresenta elementos que aumentam sua credibilidade visual e simbólica, como semelhança com o mundo cotidiano, contexto plausível e circulação em meios considerados confiáveis. No entanto, essa percepção não depende apenas da imagem em si, mas do registro do imaginário, conforme proposto por Jacques Lacan, pois cada sujeito interpreta a imagem a partir de suas próprias experiências, crenças e identificações. No caso do retrato falado, por exemplo, há uma construção baseada em traços gerais, que permite múltiplas interpretações e identificações equivocadas.

2)
Os leitores da rede social tomaram a imagem e a notícia como reais principalmente pela falta de questionamento crítico em relação ao que é apresentado como verdade, além da influência do contexto coletivo. Nesse sentido, o simbólico — que envolve a linguagem, os discursos sociais e a autoridade das mídias — contribui para legitimar a informação. Ao mesmo tempo, há uma tentativa de dar sentido ao desconhecido, buscando um culpado, o que revela uma dificuldade de lidar com o real, entendido na psicanálise como aquilo que escapa à compreensão total. Assim, a combinação entre identificação imaginária, validação simbólica e ausência de reflexão crítica favoreceu a aceitação da imagem como verdadeira.

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ROSEMEIRE PAGNI

1- nesse caso é um retrato falado, logo não é real, foi feito por uma terceira pessoa com base nas informações que uma pessoa passou, logo a partir do momento que se analisa esse fato já entende-se que não é uma imagem real.

2- fato é que as pessoas acreditam em tudo que é postado, talvez pela relevância do conteúdo, ou por crer na pessoa em sim. uma parte da irresponsabilidade de quem posta esse tipo de conteúdo talvez em deixar claro que se trata de um retrato falado, e por um senso de justiça por parte da população desinformada, que causou essa atrocidade com uma pessoa inocente.

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ROSEMEIRE PAGNI

1- Uma imagem é tomada como real quando parece verídica, circula com muita frequência e é aceita socialmente sem questionamento, ganhando aparência de verdade.
2- Os leitores acreditam na notícia porque confiaram na circulação da informação nas redes sociais e não verificaram fontes, aceitando o boato como se fosse de fato real

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ROSEMEIRE PAGNI

O que tornou o retrato falado "real" para os agressores não foi sua precisão técnica, mas sim:

A sua inserção em um contexto de medo social.

A sua recepção como um signo de perigo (secundidade/reação).

A falha em distinguir a realidade psíquica (o medo de sequestros) do real irredutível dos fatos.

Os leitores tomaram a notícia como real porque a imagem (com sua credibilidade construída pelo meio social) validou seus maiores medos (sua realidade psíquica), provocando um colapso na relação de civilidade e uma reação violenta imediata e não mediada pela razão.

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ROSEMEIRE PAGNI

Amigos, aqui eu compreendo que, no cenário atual, a imagem digital opera intensamente no registro do Simbólico, permitindo a criação de realidades puramente conceituais. Observando a reportagem, esse lado positivo da conectividade traz consigo o desafio das 'narrativas' que moldam o social. Portanto, interpretar a imagem hoje exige reconhecer que ela não é mais uma prova do real, mas um processo contextual que requer cautela para discernir entre a informação e a construção ilusória.

Falta de conhecimento dos fatos e julgar verdade por algo que foi publicado sem veracidade

O desafio da sociedade contemporânea reside, em grande medida, no rompimento entre a representação visual e o objeto que ela deveria retratar. O trágico caso de Guarujá, no qual Fabiane Maria de Jesus foi linchada após um boato sobre rituais de magia negra, exemplifica como o ato de "ver" passou a substituir o "saber". Em um ambiente digital saturado, a distinção entre a verdade — que demanda investigação — e o "real" torna-se difusa, pois este último é construído sobre critérios de impacto emocional e verossimilhança, e não necessariamente sobre fatos comprováveis.

Nesse cenário, uma imagem passa a ser aceita como real quando estabelece uma consonância cognitiva com o observador, confirmando seus medos ou preconceitos pré-existentes. A percepção de realidade é reforçada pela estética do amador; fotos de baixa qualidade ou vídeos tremidos sugerem uma espontaneidade que as produções profissionais não possuem, alimentando a crença ingênua de que a imagem é um rastro direto do fato. Além disso, a velocidade de circulação nas redes sociais confere a esses registros o status de realidade social: quando o compartilhamento se torna massivo, a imagem deixa de ser uma mera representação e passa a ser percebida como o próprio acontecimento.

A análise desse fenômeno sob uma perspectiva psicanalítica e psicossocial revela que o usuário das redes é facilmente capturado pelo registro do "Imaginário". Conforme a teoria lacaniana, a identificação com a imagem é imediata e narcísica, o que acaba atropelando a mediação simbólica necessária para a dúvida e a verificação. Ocorre, então, uma lógica de massa descrita por Freud, onde a responsabilidade individual se dilui no coletivo e a informação ganha credibilidade pelo vínculo afetivo — a chamada "verdade por proximidade". Ao receber um conteúdo de um amigo ou grupo de confiança, o indivíduo desativa seu pensamento crítico em favor de uma resposta emocional de defesa contra um "outro" percebido como ameaça.

Em última análise, o episódio de citado no Desafio (ocorrido no Guarujá) demonstra como o retrato falado de um caso antigo pôde ser tomado como um "Real" absoluto apenas por dar rosto a um medo social latente. O que se viu foi uma psicose coletiva momentânea, na qual o registro simbólico da justiça institucional foi substituído pela atuação direta e violenta do linchamento. Esse desfecho evidencia o perigo de uma sociedade que abdica da linguagem e da lei em favor de uma ficção visual, transformando boatos digitais em tragédias reais e irreversíveis.


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