Forum

Please or Cadastrar to create posts and topics.

Desafio - Módulo V

PreviousPage 216 of 227Next

Reviver algumas coisas do passado pode mexer em feridas que nem sabíamos que estavam mal cicatrizadas. Reviver meus momentos de infância me dão um certo saudosismo e ao mesmo tempo uma tristeza.

  • Aliás por vezes precisamos arrancar algumas cascas de ferida para cura-las melhor.

Ao realizar o exercício de autoanálise, imaginei um sonho em que estava tentando atravessar uma ponte estreita, mas sempre algo me fazia voltar ao ponto de partida. A princípio parecia apenas um detalhe sem importância, mas ao refletir percebi que esse sonho poderia simbolizar a dificuldade de avançar diante de inseguranças e medos que me acompanham.

Nesse processo, percebi como Freud tinha razão ao afirmar que os sonhos não são meras imagens, mas uma forma simbólica de revelar conteúdos inconscientes. A ponte poderia representar desafios da vida; o retorno constante, talvez, o receio de perder o equilíbrio diante do novo.

Essa experiência fictícia me mostrou como a literatura e a psicanálise se encontram: ambas trabalham com símbolos, metáforas e sentidos ocultos. A autoanálise, mesmo feita de maneira imaginada, ajuda a perceber que nossas interpretações são sempre atravessadas por emoções, desejos e conflitos internos.

Portanto, o exercício não se trata apenas de olhar para dentro, mas também de compreender como, ao analisar textos, sonhos ou narrativas, acabamos inevitavelmente interpretando também a nós mesmos.

Quando faço a auto análise , me lembro de tudo que passei e vive ...os bloqueios emocional devido ao bullying ainda na infância , a infância pobre e difícil. Hoje evolui muito , mudei muito , mais a tristeza em lembrar ....

Gosto muito de realizar este processo de autoanálise

Autoanálise - Carlos Araujo

Desde a infância, certas experiências deixaram marcas que até hoje me acompanham. Algumas são lembranças afetivas e curiosas, outras, dolorosas e difíceis, mas todas compõem quem sou e me ajudam a refletir sobre minha história, meus conflitos e meus desejos.

Memórias da infância
Um dos episódios mais marcantes foi quando uma garota me deu um selinho. Na época, eu não entendi o motivo, apenas senti uma mistura de surpresa e vergonha. Até hoje, essa lembrança me provoca questionamentos sobre o sentido desse gesto e como ele me afetou emocionalmente. Outro momento muito vivo é quando meu pai me levava ao centro de Brasília com uma bag de violão cheia de CDs de som de flauta. Eu era pequeno, vestia uma camisa longa do Homem-Aranha, e aquelas cenas se fixaram em mim como memórias carregadas de afeto, música e vínculo paterno.

Relação com os pais
Meus pais eram divorciados. Cresci sob os cuidados da minha mãe, com quem sempre tive uma boa relação. Já meu pai, mesmo de longe, nunca deixou de tentar me orientar, me dando instruções sobre a vida e o caminho que eu deveria seguir. Essa figura paterna à distância funcionava como uma voz que apontava direções, o que talvez tenha influenciado na minha tendência atual de esperar que os outros me guiem ou de sentir dificuldade em me impor sozinho.

Conflito com o irmão
Em contraste, minha relação com meu irmão foi bastante dura. Ele me batia quase todos os dias, sem motivo aparente, e eu vivia chorando. Não me lembro de alguém intervir nessas situações, que se repetiram até os meus 13 anos de idade. Essa experiência de violência frequente me deixou marcas de insegurança, medo de confronto e uma tendência à retração. É como se eu tivesse aprendido, ainda criança, que não havia proteção externa, restando apenas suportar em silêncio.

Vida social e afetiva
Na infância e adolescência, tive dificuldades em construir amizades genuínas. Os vínculos que estabelecia eram passageiros, sempre “de momento”. Eu me sentia reprimido, acreditava que os outros zombavam de mim e, com isso, me fechava. Até hoje não tive um relacionamento amoroso estável, muitas vezes por insegurança comigo mesmo. Isso reforça uma sensação recorrente: às vezes me percebo como uma criança brincando de ser adulto.

Conflitos atuais
Reconheço que ainda tenho dificuldade em me impor. Em situações de pressão, quando alguém me pergunta algo e exige uma resposta imediata, meu automático é dizer “não sei”. Não é falta de conhecimento, mas sim uma reação defensiva que me paralisa. O mesmo acontece quando alguém me xinga ou me agride verbalmente: ao invés de responder ou me defender, simplesmente me afasto. Além disso, percebo em mim uma forte tendência a querer agradar os outros. Muitas vezes acabo mudando de opinião quando alguém apresenta uma ideia contrária à minha, mesmo que eu inicialmente pensasse diferente. Isso mostra uma dificuldade em sustentar minha própria palavra e revela o quanto ainda busco aprovação externa.

Fonte de sentido e espiritualidade
O que move minha vida é a minha fé em Jesus Cristo. É Ele quem me dá sentido, calma e propósito. Sem essa fé, acredito que seria apenas “mais um”, sem objetivos claros. Hoje, percebo que minha espiritualidade funciona como uma âncora emocional e como um espaço de aprendizado. Sinto que Jesus está comigo, me ajudando e me ensinando a lidar com minhas dificuldades.

A formação em psicanálise
O curso online de psicanálise tem sido um espaço de autodescoberta. Tenho aprendido sobre consciente, inconsciente e mecanismos psíquicos, e isso me permite enxergar aspectos meus que antes passavam despercebidos. Já consigo reconhecer algumas defesas que uso, como a repressão, a evitação, a necessidade de agradar e a dificuldade de sustentar a palavra diante do outro. Estudar psicanálise tem me feito refletir sobre minhas repetições e sobre como posso construir uma postura mais autêntica e consciente.

Conclusão
Minha autoanálise mostra que carrego marcas de uma infância dividida entre momentos de afeto e experiências de violência. Essas vivências se refletem na dificuldade em impor limites, na insegurança social e afetiva e nas reações automáticas que tenho diante da pressão. Ao mesmo tempo, percebo em mim uma forte busca por sentido e transformação, movida pela fé e pelo aprendizado na psicanálise. Quero trabalhar minha capacidade de me afirmar, sustentar minhas opiniões, construir vínculos mais consistentes e compreender de forma mais profunda como minhas experiências moldaram quem sou.

Foi uma experiência exótica !
foi interessante perceber a capacidade que temos de se dissociar e analisar os propios padrões comportamentais.
graças a ato-analise, eu conseguir visualiar algumas questões pontuadas por terceiros que precisavam ser lapidadas, assim como refutei outras, das quais inclusive serviram de porta para pessoas narcisicas e manipuladoras que eu tive a minha volta me manipular a níveis inconscientes. Porem reafirmo que assim como a analise, a auto analise é um processo que exige constância e certo rigor a fim de manter as evoluções adquiridas, ativas e lapidadas.

Já tive oportunidade de realizar autoanalise em outros momentos da vida, e a cada nova experiência percebo que ainda existem áreas da minha vida a serem trabalhadas por estarem ocultas, mas a medida que são descobertas passa-se a entender certos comportamentos, fragilidades, incertezas.

Minha infância não foi tão fácil, recordo com lembranças tristes. Sofria com maus tratos da minha mãe, enquanto que  o meu pai apenas assistia sem nenhuma intervenção. Apanhei bastante e como ela dizia, eu era muito "pirracenta" e por isso merecia apanhar. E os anos foram passando, nada mudava, eu apanhava e chorava. Sempre sobre o pretexto de que era muito terrível. E assim se foram 45 anos da minha vida, descobri com o estudo da Psicanálise que minha mãe era uma pessoa  narcisista e eu a pessoa com a qual ela se identificava para humilhar. Cresci, trabalhei, lutei muito para conquistar o que sonhava, porém para ela nenhuma das minhas conquistas eram validadas. E assim se passaram os anos até o falecimento da minha mãe.  Durante o processo busquei estudar e entender o que acontecia comigo em relação a ela, me sentia culpada por tudo, hoje, com base em tudo que estudei, entendi que fui vitima de uma mãe narcisista, porém não guardo rancor, nem ódio por tudo que passei, entendi que ter sido vitima foi infelizmente uma opção sem alternativa, considerando os conceitos e as crenças limitantes e com base nos princípios religiosos que fui criada, não podia sequer falar de modo que fosse ao encontro daquilo que ela me tratava. Enfim,  ela se foi, a minha consciência é tranquila em relação a qualquer coisa que vivi, porque ressignifiquei tudo que vivi e sei que ela jamais iria mudar. Por isso hoje, estudo Psicanálise para que posteriormente possa ajudar outras pessoas a não passar pelo que passei, porque as sequelas, embora superadas, ficam gravadas, a gente nunca esquece.  Não gostaria que ninguém sofresse o que sofri por anos, calada, sem poder me pronunciar, com base em um respeito imposto, pela cultura, pela sociedade e pelos princípios que a religião entende que qualquer ato que desabone a conduta de filho/mãe/pai são reprovados pela divindade.

Apesar de aparentemente serem áreas distintas, a Literatura, Filosofia e a Psicanalise estão ligadas entre si, uma vez que todas vão tratar o ser humano dentro de suas realidades, tanto no consciente como no inconsciente.

PreviousPage 216 of 227Next