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Desafio - Módulo V

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essa experiência foi muito estranha, pois inicialmente eu tinha/tenho pouca lembrança sobre minha infância, percebo que sempre fui uma criança tranquila, mas sozinha, que por ter pais separados e uma mãe que nunca me deixou faltar nada, mas que trabalhava muito e pouco tinha tempo, consegui buscar informações que estavam no subconciente, e entendi o por que de estarem lá. Consegui perceber comportamentos que me seguem agora como adulta, e as consequências das atitudes familiares que construiram o que sou hoje. e hoje consigo pensar e analisar atitudes que antes eram enraizadas, e hoje consigo perceber que não faz parte do que eu sou hoje.

Resgatar as memórias da infância para alguns é algo legal e para outros traumáticos, na primeira infância percebi muita angustia e sensação de abandono, mas mesmo assim com aquela mente de criança livre e cheio de sonhos, as brincadeiras, diversões. Hoje eu consigo enxergar nas minhas inseguranças e medo a falta paterna, é nítido pra mim, algo que antes era como sombra. Com esse primeiro passo acredito que seja possível ressignificar, dar um novo sentido. Acredito que o primeiro passo é cair em si, se conhecer, tentar encontrar aquilo que está escondido e sublimar.

Ao refletir sobre a constituição da minha personalidade, percebo que ela é um mosaico de recordações contrastantes. Vivenciei momentos de profunda desproteção nos meus 5 a 8 anos, mas também de cuidado e amor. Como estudamos na Psicanálise, essas experiências não são apenas fatos passados, mas marcas simbólicas que estruturam quem somos hoje.

1. O Trauma e a Ressignificação: A Filosofia e a Psicanálise nos ensinam que o trauma deixa marcas e isso sinto na "pele", mas a "cura" não é o apagamento do passado, e sim a sua ressignificação. Através do processo analítico, entendemos que as dores de outrora podem deixar de ser um peso paralisante para se tornarem parte de uma narrativa de superação. Hoje como mentora, opero nesse limite: ajudar o outro a ler sua própria história (como se interpreta uma obra literária) para encontrar novos sentidos.

2. A Mulher que Sou Hoje: Minha escolha profissional e acadêmica é um reflexo desse percurso. Fazer Psicanálise e mentorar pessoas é, para mim, um ato de sublimação. Transformei a dor do passado em um propósito de cuidado, permitindo que outros vejam que existe sim vida plena após o trauma. As marcas permanecem, mas a dor foi transformada em consciência e empatia.

Acredito que a beleza da interseção entre essas áreas está em entender que não somos o que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós. Como vocês percebem esse processo de transformação da dor em propósito dentro da trajetória de vocês?

Autoanalise se revelou para mim como um livro onde conto minha historia repetidas vezes , sentimentos , de amor , perda , alegria e outros se manifestam em mim , um filme passa na mente , sensações físicas e mentais , se mostram presente em alguns momentos, mais é de grande importância conhecermos nossa formação do eu .

  • Amor e afeto: presentes na valorização da família como base e fonte de apoio.
  • Alegria: nas lembranças e momentos compartilhados com meus pais e irmãs.
  • Gratidão: pelo apoio familiar e pelas experiências vividas.
  • Coragem: ao continuar seguindo em frente mesmo diante das dificuldades
  • Determinação: na vontade de realizar sonhos e não desistir.

Durante o processo de reflexão senti uma mistura de estranhamento e curiosidade ao entrar em contato com as minhas próprias lembranças, uma certa nostalgia ao relembrar de situações na infância.

Percebi que alguns desejos e sonhos da infância ainda se fazem presentes, mesmo que de forma diferente, e que eles se conectam com aspectos da minha identidade atual. Esse processo de escrita trouxe uma sensação de maior consciência sobre mim mesmo, como se fosse possível organizar internamente pensamentos e emoções que antes estavam dispersos.

A experiência de autoanálise é, por vezes, confrontadora, pois rompe com a imagem de "perfeição" que tentamos manter. Ao escrever ou refletir sobre uma obra, é comum resgatar medos de insuficiência ou desejos de aceitação que têm raízes na infância, muitas vezes ligados à busca por aprovação dos pais ou cuidadores. Essa prática revela que quem somos hoje é um reflexo direto dessas marcas do passado, e reconhecê-las permite lidar de forma mais consciente com nossas emoções atuais, aceitando nossas contradições em vez de reprimi-las.

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